Pressão Política em Torno da Candidatura de Flávio Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal pelo PL-SP, fez declarações contundentes sobre a situação política atual envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Em uma entrevista ao podcast “Santa Política”, vinculado ao Jornal Razão, Eduardo afirmou que Tarcísio “não tem a opção de ir contra” a candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em suas falas, Eduardo ressaltou que, até recentemente, Tarcísio era um “servidor público desconhecido da sociedade”, que ganhou destaque nacional após atuar como ministro da Infraestrutura. Segundo ele, a ascensão política de Tarcísio aconteceu em grande parte devido ao apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Ele não tem como se opor ao Bolsonaro. Qualquer tentativa de desviar desse caminho, como se candidatar a outro cargo, o colocaria na mesma posição de João Doria”, afirmou.
Eduardo também destacou que a próxima eleição deve ser marcada por uma “polarização” entre Flávio Bolsonaro e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A polêmica ganhou força após o governador cancelar uma visita ao ex-presidente, que está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, popularmente conhecido como “Papudinha”. O encontro, agendado inicialmente para ocorrer, foi cancelado sob a justificativa de compromissos já assumidos em São Paulo, embora não tenha havido divulgação de agendas públicas para o dia.
O cancelamento acontece após Flávio Bolsonaro declarar que o objetivo da reunião era reafirmar a orientação para que Tarcísio disputasse a reeleição. Essa assertiva parece ter gerado descontentamento em Tarcísio, que, conforme informações de interlocutores, ainda mantém aspirações de concorrer ao Palácio do Planalto. Apesar disso, ele assegurou que apoiará Flávio, mas “no momento certo”.
Reações no Cenário Político
A situação provocou diversas reações entre as lideranças bolsonaristas. Nos bastidores, parlamentares da ala bolsonarista consideraram “estranha” a decisão do governador em cancelar a visita, especialmente em um contexto de crescente competição dentro da direita. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou sua esperança de que o cancelamento não tenha sido influenciado por “motivos eleitorais”.
Por sua vez, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que considera normal a pressão em torno da candidatura presidencial de Tarcísio, mas garantiu que o governador “jamais ficará contra Bolsonaro”. Essa afirmação busca tranquilizar os apoiadores do ex-presidente, que temem divisões no campo político da direita.
Uma voz notável no debate é a do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele expressou ceticismo em relação à candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, afirmando que a sua candidatura “não empolgou a direita” e que ele “não tem musculatura” para enfrentar Lula. Malafaia sugeriu que a melhor alternativa seria uma chapa liderada por Tarcísio, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ocupando a vice. Essa proposta reflete a busca por uma união mais forte entre os apoiadores de Bolsonaro, visando fortalecer a direita nas próximas eleições.
Assim, o cenário político se torna cada vez mais dinâmico e repleto de tensões. As declarações de Eduardo Bolsonaro e o cancelamento da visita por Tarcísio indicam que o caminho para as eleições não será simples. A polarização entre os candidatos e as expectativas de apoio ou oposição dentro do grupo bolsonarista continuarão a definir as movimentações políticas nos próximos meses.

