Prefeito do Rio Revela Planos para 2026
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, declarou que está em plena pré-campanha para o governo do estado durante um evento em Santo Antônio de Pádua, na sexta-feira passada. Cotado como forte candidato ao Palácio Guanabara, Paes negou a possibilidade de deixar a gestão municipal antes do término de seu mandato, previsto para 2028.
“Não estou apenas visitando cidades do interior. Estou em pré-campanha porque quero os votos para governador e, claro, busco o apoio do Paulinho. Pronto, falei!”, afirmou Paes, em um tom descontraído, ao lado do prefeito Paulinho da Refrigeração, do MDB. A declaração ganhou destaque após um vídeo ser compartilhado pelo perfil ‘nabocadopovorj’, rapidamente repercutindo nas redes sociais.
Durante sua visita ao Norte-Noroeste fluminense, o prefeito percorreu cinco municípios e se reuniu com autoridades locais e empresários. O objetivo? Ampliar sua base de apoio em regiões onde o apoio eleitoral é mais fraco, como na Baixada Fluminense e no interior do estado.
No último mês de outubro, Paes já havia admitido a possibilidade de deixar a prefeitura. Desde então, tem intensificado suas visitas ao interior e realizado reuniões fora da agenda oficial com potenciais aliados políticos na Gávea Pequena, sua residência oficial. Caso decida se candidatar em 2026, ele tem até abril para renunciar ao cargo, e o vice Eduardo Cavaliere, de apenas 31 anos, assumiria, tornando-se o prefeito mais jovem da história da cidade.
O GLOBO tentou entrar em contato com a prefeitura, mas não obteve resposta até a publicação deste artigo.
Encontro Secreto com o Presidente Lula
Na última terça-feira, Paes teve um encontro particular com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em Brasília, conforme revelou a newsletter “Jogo Político”, editada por Thiago Prado. O tema da conversa girou em torno da necessidade de dissipar a crescente desconfiança no Palácio do Planalto em relação ao prefeito, especialmente sobre sua lealdade nos 92 municípios fluminenses durante a próxima campanha.
A viagem de Paes a Brasília tornou-se urgente após André Ceciliano, um potencial candidato ao mandato interino que pode surgir no Rio caso o atual governador, Cláudio Castro, do PL, decida renunciar em abril para tentar uma vaga no Senado.
Durante o encontro, Paes anunciou a Lula que deixará a prefeitura em 20 de março para se candidatar ao Palácio Guanabara. Ele também reafirmou sua lealdade ao presidente e se comprometeu a apoiar a deputada Benedita da Silva ao Senado — uma mudança nas expectativas de sua base política, que esperava formar uma chapa apoiada pelo PT sem incluir candidatos do partido.
A newsletter ainda destacou que desde o segundo semestre do ano passado, a liderança do PT, incluindo Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e André Ceciliano, tem expressado as crescentes preocupações no Planalto sobre os flertes de Paes com o bolsonarismo.
Os petistas citam três episódios que consideram desleais: em setembro, Paes manifestou apoio ao pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Mexeu com Silas, mexeu comigo”, declarou durante um culto. Em novembro, disse que caminharia nas eleições com o PL do deputado Altineu Cortes. O clima tenso culminou em dezembro, quando o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, criticou o PT ao chamar a visão do partido sobre segurança de ‘lero-lero’ após uma operação policial que resultou na morte de 121 pessoas no Complexo do Alemão.
Até então, os movimentos de Paes não haviam provocado grandes reações dentro do PT, que se limitou a críticas tímidas de figuras como o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e do ex-ministro José Dirceu.

