Transformações na Educação: Caminhos para o Futuro
A presidente-executiva do Instituto Salto, Claudia Costin, estará em Natal no próximo dia 31 para a 45ª edição do Motores do Desenvolvimento, evento que ocorrerá no auditório da Federação das Indústrias, a partir das 8h. Costin apresentará a palestra “Transformações Econômicas por meio da Educação – Cases do Cenário Global”, que trará à tona experiências de sucesso internacionais sobre como o investimento em educação pode ser um motor de crescimento econômico.
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Claudia Costin discutiu o futuro da educação no Brasil, especialmente em relação à integração de recursos tecnológicos, como a Inteligência Artificial (IA). Ela defendeu a expansão do ensino em tempo integral no Rio Grande do Norte, enfatizando que essa é uma estratégia crucial para melhorar os alarmantes índices de alfabetização no estado.
Como a Educação Pode Impulsionar o Crescimento?
Claudia Costin destacou que diversas pesquisas apontam uma forte correlação entre a produtividade do trabalho e os anos de escolaridade de qualidade. Embora o acesso à escola tenha aumentado no Brasil, incluindo no Rio Grande do Norte, a qualidade dessa educação ainda deixa a desejar. Ela mencionou que, enquanto estados como o Piauí já implementaram o ensino médio em tempo integral, nenhuma nação com um sistema educacional de qualidade se limita a apenas quatro horas de aula por dia. A média global, segundo Costin, varia entre sete a nove horas diárias.
Ela alertou que o ensino precisa ser mais dinâmico e interativo, ajudando os alunos a desenvolverem habilidades de pensamento crítico. O Piauí, por exemplo, alcançou 77% de alfabetização ao final do segundo ano, enquanto o Rio Grande do Norte ocupa a última posição nesse ranking. Para mudar essa realidade, são necessárias ações que tornem a profissão docente mais atraente, além de formar e reter educadores qualificados.
Estrategias para Superar Desigualdades na Educação
Costin argumentou que, ao invés de buscar modelos educacionais estrangeiros, como o da Finlândia, é fundamental olhar para as boas práticas já existentes no Brasil. Ela citou a experiência de Pernambuco com escolas de tempo integral e ressaltou como essa iniciativa inspirou avanços no Ceará e no Espírito Santo. A alfabetização em Sobral (CE), que começa na pré-escola de forma lúdica, é um exemplo a ser seguido. Costin enfatizou a importância de entender o que está impedindo o Rio Grande do Norte de resolver seus problemas de alfabetização e aprender com os exemplos bem-sucedidos de outros estados.
A Modernização da Gestão Pública e Seus Impactos na Educação
A educadora também abordou a modernização da gestão pública, destacando que não se deve imitá-la como se fosse a do setor privado. A gestão nas escolas deve ser flexível e eficiente, permitindo que diretores de instituições bem-sucedidas ajudem aquelas que enfrentam dificuldades. É necessário realizar diagnósticos regulares para monitorar o aprendizado das crianças, prática que já ocorre em algumas localidades e deve ser replicada nacionalmente.
Educação Básica e Mercado de Trabalho
Na visão de Costin, a formação cidadã é essencial e deve coexistir com a preparação para o mercado de trabalho. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já aborda o Projeto de Vida, que visa preparar os alunos para serem protagonistas de seu futuro. Isso inclui o desenvolvimento de competências socioemocionais, além das habilidades práticas necessárias no ambiente profissional.
Inteligência Artificial e a Educação do Futuro
Sobre o papel da IA na educação, Costin expressou que a digitalização nas escolas deve ser feita de maneira a não aumentar as desigualdades. Embora a pandemia tenha ampliado a disparidade entre escolas, a conectividade aumentou, com 76% das instituições brasileiras agora online. A educadora ressaltou que a IA não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma aliada, desde que sejam garantidos equipamentos suficientes e a formação adequada dos professores. Ela apontou que, embora 56% dos professores estejam usando IA, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que essa tecnologia beneficie a educação sem comprometer o aprendizado tradicional.
Desafios e Oportunidades para o Ensino Público
Costin identificou um dos maiores erros nas redes públicas de ensino como a baixa expectativa em relação aos alunos mais vulneráveis. Para mudar essa realidade, a profissional defende a necessidade de celebrar as conquistas dos alunos e promover a troca de experiências entre professores. Inspirando-se em práticas adotadas na China, onde professores novatos aprendem com os mais experientes, Costin acredita que essa troca de saberes pode ser uma chave para a melhoria na educação.
Prioridades para o Futuro da Educação no Brasil
Por fim, Claudia Costin destacou que não existe uma solução simples para os desafios educacionais. A adoção do ensino em tempo integral e a alocação de professores em uma única escola são fundamentais para um aprendizado efetivo. Sem essas mudanças, o Brasil corre o risco de continuar enfrentando empregos precarizados e altas taxas de desemprego, especialmente em um cenário dominado pela Inteligência Artificial.

