A Educação e os Direitos Humanos: Reflexões de Macaé Evaristo no Congresso da CNTE
No 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), realizado na última sexta-feira (16), a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, enfatizou a conexão entre educação de qualidade e dignidade humana. O evento, que ocorre em Brasília (DF), reúne mais de 2 mil profissionais da educação para discutir temas como democracia, sustentabilidade e soberania.
Durante seu discurso no painel “Diversidade e Sustentabilidade Socioambiental”, a ministra, que é professora de carreira, ressaltou como os movimentos sociais influenciaram sua jornada. Citando Anísio Teixeira, ela definiu a escola pública como a “fábrica” da democracia no Brasil e alertou sobre a necessidade de transformar os direitos humanos em práticas concretas, evitando que se tornem meros slogans.
“Não podemos garantir o direito à educação sem uma política que valorize o trabalho, os salários dignos e os direitos humanos”, afirmou Macaé Evaristo, reafirmando que a educação deve ser uma prioridade.
Educação em Direitos Humanos como Política Pública
Em sua fala, a ministra Macaé Evaristo ainda destacou a educação em direitos humanos como uma política pública essencial, necessária para ser estruturante, permanente e transversal. Apesar dos desafios que a sociedade enfrenta, a educação deve olhar para dentro das escolas e envolver todos os sujeitos da educação, incluindo estudantes, docentes e a comunidade escolar.
Soberania Nacional e a Defesa dos Direitos Humanos
A titular do MDHC também abordou a soberania nacional como um conceito fundamental para assegurar a dignidade de todos. Ela convocou os educadores a se tornarem defensores dos direitos humanos, essencial em um contexto onde a educação é vista como uma extensão da humanização e construção de um projeto nacional que prioriza a dignidade humana.
A ministra também exemplificou a necessidade desse reconhecimento ao criticar a restrição imposta a uma estudante negra em uma escola cívico-militar, que não podia usar o cabelo black. “Uma escola que tenta apagar a identidade de seus alunos não reconhece a humanidade deles, e isso é inaceitável”, defendeu.
Por fim, Macaé Evaristo fez um apelo aos educadores para que se organizem em grandes redes e reconheçam os ataques enfrentados por professores nas redes sociais, incluindo discursos de ódio e desumanização.
Sobre o Congresso Nacional da CNTE
A 35ª edição do Congresso Nacional da CNTE, que se estenderá de 15 a 18 de janeiro, reúne profissionais de educação de todo o Brasil, além de convidados nacionais e internacionais. O objetivo do congresso é refletir coletivamente sobre os desafios contemporâneos da educação pública, reafirmar o compromisso com um projeto pedagógico democrático e buscar maneiras de valorizar a escola pública, que deve ser laica, gratuita e de qualidade socialmente referenciada.

