Desafios da Educação no Estado
No Dia Internacional da Educação, celebrado em 24 de janeiro, é fundamental refletir sobre a importância de uma educação pública de qualidade como alicerce para o futuro. No estado do Rio de Janeiro, essa reflexão se torna ainda mais urgente ao revelarmos uma realidade alarmante: há anos, os jovens fluminenses não têm acesso assegurado ao direito básico de aprender com dignidade e perspectiva. Essa crise educacional resulta de uma gestão ineficaz, escolhas políticas infelizes e um orçamento marcado pelo descaso, refletindo em indicadores em declínio, escolas em péssimas condições e uma juventude cada vez mais afastada de oportunidades reais.
O governo estadual, por sua vez, tem acumulado decisões que apenas agravam essa situação. Em um exemplo claro, o governador perdeu o prazo para a aprovação de uma lei que destinaria R$ 117 milhões aos municípios para investimentos em educação, colocando o Rio de Janeiro na triste posição de ser o único estado do país sem esse incentivo. Se a situação não for resolvida, corremos o risco de um cenário ainda mais desolador no próximo ano. Além disso, a implementação do sistema de aprovação automática é amplamente criticada, pois esconde as deficiências de aprendizagem em vez de enfrentá-las diretamente.
O Impacto da Reforma do Ensino Médio
A situação se torna ainda mais difícil com a aplicação da Reforma do Ensino Médio, que foi inicialmente apresentada como uma oportunidade de ampliar escolhas e flexibilizar trajetórias. No entanto, na prática, essa reforma tem aprofundado as desigualdades no estado. Com apenas duas trilhas formativas disponíveis, a educação se torna uma armadilha para aqueles que já enfrentam a escassez de recursos, como escolas, professores e laboratórios. Jovens de classes mais baixas acabam enfrentando um funil educacional: ou aceitam a trilha oferecida, frequentemente desconectada de suas realidades e interesses profissionais, ou abandonam os estudos.
Para estudantes que residem nas grandes cidades, ainda há algumas opções de escolha. Contudo, para aqueles que vêm de cidades menores, áreas rurais ou periferias, a situação se torna desesperadora. O conceito de liberdade na escolha educacional se transforma em uma mera ilusão para quem mais precisa do apoio do Estado. Os dados disponíveis corroboram esse cenário desolador. No ensino médio, o Rio de Janeiro continua a registrar um dos piores desempenhos do Brasil no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ocupando as últimas posições no ranking nacional há mais de dez anos. Este é um fracasso que se evidencia estruturalmente e de forma persistente.
A Necessidade de Uma Mudança Estrutural
É inaceitável que um dos estados mais abastados do Brasil exiba resultados educacionais tão alarmantes. Essa realidade é sintoma de uma má gestão. A instabilidade na Secretaria Estadual de Educação, caracterizada por mudanças frequentes de liderança e a falta de um planejamento de longo prazo, inviabiliza a continuidade de políticas públicas eficazes. Cada nova administração inicia do zero, levando a educação a um estado de estagnação. Enquanto isso, professores trabalham em condições vulneráveis, os estudantes enfrentam estruturas inadequadas e as famílias passam a perder a confiança na escola pública, gerando um ciclo vicioso que contribui para a evasão escolar, informalidade no mercado de trabalho e um aumento da violência e da desesperança entre os jovens.
A Educação como Prioridade
Educação deve ser tratada como uma política central, não como um acessório. Ela é fundamental para o desenvolvimento social, a redução das desigualdades e a promoção da segurança. O estado do Rio de Janeiro precisa tomar uma decisão crucial: continuará a administrar a decadência ou reconhecerá que investir em educação exige prioridade, planejamento eficaz e coragem política? Não existem reformas que funcionem sem uma estrutura sólida, e um futuro viável se torna impossível quando um estado desiste de suas juventudes.
Salvino Oliveira, vereador do Rio e presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara, ex-secretário municipal da Juventude e presidente do PSD Jovem, destaca a urgência de encarar essa crise como uma prioridade. Somente assim, será possível reverter essa situação crítica e proporcionar um futuro melhor para os jovens fluminenses.

