Educação em Pauta: Denúncia e Mobilização
No dia 1º de abril, momento conhecido como o Dia da Mentira, os profissionais da educação da rede estadual do Rio de Janeiro se mobilizam para expor as inverdades do ex-governador Cláudio Castro. Renunciando ao cargo em 23 de março, a poucos dias do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Castro foi condenado e se tornou inelegível por oito anos. A estratégia de sua saída, que tinha como objetivo evitar a cassação do mandato e garantir sua candidatura ao Senado, foi frustrada pelo Supremo Tribunal Federal, que atualmente analisa a situação.
Antes de deixar o Palácio Guanabara, o ex-governador manteve uma série de alegações que enganaram os servidores estaduais durante sua gestão, incluindo a imposição de congelamento salarial e a tentativa de transferir a responsabilidade para o Regime de Recuperação Fiscal e outras leis fiscais. O resultado disso? A educação acumulou perdas severas, que exigiriam um reajuste superior a 55% apenas para restaurar o poder de compra de 1º de julho de 2014.
Desvendando as Mentiras de Castro
Entre as várias inverdades, destaca-se a suposta recomposição salarial. No final de 2021, após acordos com deputados, Castro anunciou um aumento de 26,5% para compensar perdas salariais de 2017 a 2021. Este aumento seria realizado em três fases: a primeira, de 13,5%, foi paga em janeiro de 2022, mas as duas últimas, que deveriam ser pagas em fevereiro de 2023 e 2024, continuam pendentes.
Outro ponto controverso foi a alegação de que a Lei de Responsabilidade Fiscal impediria a concessão de aumento. Em 2026, o ex-governador utilizou as redes sociais para justificar a negativa nos reajustes. No entanto, estudos da Comissão de Servidores Públicos da ALERJ indicam que o estado possuía uma margem orçamentária de aproximadamente R$ 4 bilhões para despesas com pessoal, o que seria mais do que suficiente para quitar as parcelas atrasadas e oferecer reajuste após anos de congelamento.
A situação se agravou com a polêmica do Rioprevidência, onde Castro foi acusado de permitir que quase R$ 1 bilhão fosse investido em títulos considerados ruins, relacionados ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central. Isso aconteceu apesar de alertas do Tribunal de Contas do Estado, refletindo uma gestão que, segundo críticos, foi desastrosa.
Movimento de Paralisação e Reivindicações
No dia 9 de abril, os profissionais da educação planejam paralisar as atividades por 24 horas, reivindicando a recomposição salarial e a implementação do Piso Nacional do Magistério, além de outras demandas urgentes. A assembleia ocorrerá às 10h no Clube de Engenharia, situado na Avenida Rio Branco, nº 124, seguida de um ato em frente à ALERJ. A mobilização acontece em um contexto de crescente insatisfação dentro da categoria, que considera Cláudio Castro um adversário da educação.
Além disso, no mesmo dia, os profissionais da rede municipal também se juntarão à paralisação, coincidindo com uma assembleia na Cinelândia. A unidade entre as redes municipal e estadual reforça a pressão sobre o governo e a necessidade de negociação.
Dados do Dieese indicam que, entre 1º de março de 2019 e 31 de dezembro de 2025, a perda salarial dos professores estaduais foi de 19,40%, evidenciando a urgência de um reajuste significativo. Os profissionais demandam o cumprimento do acordo de 2021, que previa a recomposição de 26,5%, dividida em três parcelas, e injustamente, as duas últimas nunca foram pagas.
Desafios Futuros para a Educação
O cenário atual para a educação no Rio de Janeiro é desafiador. A paralisação prevista, que é a segunda do ano, reflete a insatisfação acumulada com a falta de diálogo e ações efetivas em relação às demandas da categoria. O prefeito Eduardo Paes, que renunciou ao cargo para concorrer novamente ao governo, também deixou um legado controverso, marcado pela falta de negociação com os servidores municipais e pela implementação de políticas que foram vistas como prejudiciais à educação.
A continuidade das mobilizações e a união dos profissionais da educação são essenciais para garantir que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades atendidas, em um período onde a educação merece atenção e investimentos adequados para um futuro mais promissor.

