O que Motivou a Eleição Indireta no Rio de Janeiro?
A recente renúncia do ex-governador Cláudio Castro, que ocorreu na última segunda-feira, deixou o estado do Rio de Janeiro diante de uma vacância de poder, levando à necessidade de um novo governador-tampão até o fim deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou na quarta-feira que a escolha do novo governador deve ser feita de forma indireta, ou seja, por meio da Assembleia Legislativa do estado (Alerj). Essa decisão coloca em prática normas mais rígidas para a escolha do sucessor, com algumas regras ainda em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Votação Direta é Necessária?
Resposta rápida: não. O processo de escolha do governador-tampão não envolverá votos diretos da população. A única situação que poderia levar a uma eleição direta seria se Castro tivesse sido cassado pela Justiça Eleitoral. Ele foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e econômico, tornando-se inelegível.
Conforme explicado pelo advogado Marlon Reis, especialista em Direito Eleitoral, o fato de Castro ter renunciado um dia antes do julgamento muda a situação. “A renúncia é o que gera a sucessão, e, por isso, se aplica a Constituição do Estado, e não o Código Eleitoral”, destacou.
Quem Pode se Candidatar ao Cargo?
Aqueles que podem concorrer ao cargo de governador-tampão são filiados a partidos políticos e devem ter domicílio eleitoral no Rio, além de já terem completado 30 anos de idade. O novo governador deverá assumir até 31 de dezembro de 2026. Embora a participação na eleição esteja, em tese, aberta a pessoas sem mandato, as regras atualmente vigentes favorecem a candidatura de deputados estaduais, que são os principais protagonistas do processo.
Regras Definidas pela Alerj e a Análise do STF
As regras para a eleição indireta foram estabelecidas pela Alerj e posteriormente modificadas pelo ministro Luiz Fux, do STF, que exigiu voto secreto e que candidatos desincompatibilizassem de seus cargos no Poder Executivo seis meses antes da eleição. Isso significa que a maioria dos candidatos viáveis provavelmente serão deputados estaduais que já estão em exercício.
Atualmente, o STF está revisando essa decisão em um plenário virtual. Se a alteração de Fux for derrubada, as regras originais da Alerj voltariam a valer, permitindo um prazo de 24 horas para desincompatibilização após a renúncia de Castro e mantendo a votação aberta.
Essas mudanças têm potencial para beneficiar candidatos mais alinhados com a base governista, como Douglas Ruas (PL), ex-secretário estadual de Cidades, que se desincompatibilizou antes da renúncia e voltou ao cargo de deputado estadual na Alerj, onde busca apoio para sua candidatura.
A Eleição Indireta Afeta a Eleição de Outubro?
Não, a eleição que deve ocorrer em outubro deste ano — que é realizada a cada quatro anos e elege um governador para um mandato completo — não será afetada pela eleição indireta atual. Independentemente da data em que a escolha do governador-tampão acontecer, a votação de outubro seguirá conforme previsto, assegurando que a população participe da eleição do novo governador para um mandato integral.

