Análise dos Planos de Paes para a Eleição Indireta
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está ativamente considerando estratégias para a eleição indireta, cuja definição acontece em um momento político delicado. O nome mais forte na disputa é Douglas Ruas (PL), secretário estadual de Cidades, que já se posicionou como o único adversário até então declarado na corrida pelo Palácio Guanabara. Com a perspectiva de seu oponente utilizando a máquina pública em uma eventual candidatura em outubro, Paes está delineando dois planos de ação, conforme revelado por aliados ao Valor Econômico.
A primeira estratégia envolve questionar judicialmente as novas regras da eleição indireta, recentemente aprovadas pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O prefeito avalia que a legislação atual exige um prazo de desincompatibilização de seis meses para candidatos em eleições normais. No entanto, a Alerj reduziu esse prazo para apenas 24 horas após a vacância do cargo executivo, o que tem provocado questionamentos sobre a legalidade e a moralidade dessa alteração. A flexibilização, embora prevista para eleições suplementares, pode ser contestada judicialmente, criando um cenário de incertezas para todos os envolvidos.
No entanto, fontes do governo indicam que, no Supremo Tribunal Federal (STF), alguns ministros já se mostraram favoráveis ao prazo encurtado de afastamento, limitando as opções de Paes nessa linha de ação. O que, claramente, gera uma tensão adicional em um cenário onde a contenda eleitoral se aproxima.
Segunda Opção: Aliança com André Ceciliano
A segunda linha de ação de Paes envolve a aceitação da candidatura de André Ceciliano (PT), ex-presidente da Alerj e atual chefe de Assuntos Parlamentares do Planalto. Apesar das tensões entre eles, que resultaram em trocas de farpas públicas no início do ano, Paes e Ceciliano se reaproximaram recentemente, compartilhando um almoço que pode ter simbolizado um movimento estratégico. Contudo, a candidatura de Ceciliano também enfrenta desafios significativos.
Defensores de Ceciliano argumentam que ele possui um bom trânsito na Alerj, o que poderia ser crucial para sua eleição indireta. No entanto, ao somar as bancadas de Paes (PSD e MDB) e as da esquerda (PT, PSol, PCdoB, PSB e PDT), Ceciliano teria apenas 24 votos, bem abaixo dos 36 necessários para garantir a vitória nas urnas. Por outro lado, Douglas Ruas, com o apoio do PL, PP e União Brasil, conta com 33 votos.
Além disso, a ala do PT está dividida em relação ao apoio à candidatura de Ceciliano. O presidente estadual do partido, Diego Quaquá, informou que ainda não há um consenso sobre a participação do PT na eleição. A expectativa é que o partido se alinhe a Paes, dada a aliança existente, mas a decisão final só será tomada após discussões internas.
“Estamos em meio a uma conversa interna. Neste sábado, teremos uma reunião para definir as diretrizes”, afirmou Diego, sem descartar a possibilidade de lançar o ex-presidente da Alerj como candidato. “Embora não seja uma opção totalmente descartada, Ceciliano não é visto como um nome de consenso dentro do PT”, complementou.
Expectativas em Torno da Visita de Lula ao Rio
Com a chegada do presidente Lula ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (6), há uma expectativa crescente sobre a reunião entre ele e Paes, onde o cenário político do Estado será debatido. Lula participará de compromissos significativos para o prefeito, como a entrega de moradias na Comunidade do Aço, na Zona Oeste, e a inauguração do anel viário e túnel de Campo Grande. Além disso, haverá o anúncio de um hub internacional no Aeroporto Internacional do Galeão, uma iniciativa que promete impactar positivamente a economia local.
No entorno de Paes, a expectativa é que ele faça um anúncio sobre o mandato-tampão durante um almoço com aliados na próxima segunda-feira (9). Contudo, oficialmente, o prefeito se mantém discreto sobre as deliberações relacionadas ao tema.

