A Necessidade de Uma Eleição Suplementar
O estado do Rio de Janeiro enfrenta uma fase de turbulência política após a renúncia de Cláudio Castro (PL-RJ) na véspera da condenação que o tornaria inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a saída do governador e a vacância do cargo de vice-governador, que permanece vago desde 2025 devido à renúncia de Thiago Pampolha (União), a Constituição exige a convocação de uma eleição suplementar para preencher essas posições até o final de 2026.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) já aprovou uma lei que estabelece as regras para essa eleição, mas o cenário se complicou com a contestação feita pelo PSD, partido do pré-candidato Eduardo Paes. O impasse agora se encontra no Supremo Tribunal Federal (STF), onde os ministros começaram a analisar o caso em um plenário virtual.
Suspensão da Eleição Indireta
No último desdobramento, o ministro Cristiano Zanin decidiu suspender a eleição indireta, argumentando que a situação deve ser debatida em uma sessão presencial. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, ainda não anunciou a data para a votação presencial, o que deixa a questão da sucessão no Palácio Guanabara em suspense.
Para melhor entendimento, é relevante considerar por que o estado precisa realizar uma eleição suplementar. A situação decorre da dupla vacância nos cargos do Executivo estadual. Thiago Pampolha renunciou ao seu cargo em 2025 para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Rio, e a renúncia de Cláudio Castro, um dia antes de ser considerado inelegível, deixou o estado sem governança.
Questões Legais e Rito da Alerj
A Alerj estabeleceu um rito para a eleição que permitiria um processo indireto, onde os deputados estaduais votariam para escolher o novo governador. Este rito incluiu a possibilidade de desincompatibilização de candidatos em um prazo reduzido, de apenas 24 horas antes da votação, ao invés dos seis meses exigidos pela legislação eleitoral vigente.
Entretanto, essa normativa foi questionada judicialmente, levando o PSD a apresentar ações no STF que disputam a validade das regras da Alerj e do próprio modelo de eleição. O partido contesta tanto o prazo para desincompatibilização quanto o formato de votação, argumentando que a vacância deve resultar em uma eleição direta, permitindo que a população escolha seu novo governador.
Posição dos Ministros e Análise do STF
Os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin se manifestaram favoráveis à ideia de que a escolha do novo governador deve ser feita por meio do voto direto da população. Contudo, os outros seis ministros ainda não se posicionaram claramente sobre o formato da eleição, limitando-se a examinar as argumentações do PSD em relação às regras estabelecidas.
Recentemente, Zanin decidiu que a realização da eleição indireta fosse suspensa e que o caso deveria ser discutido em uma sessão presencial, o que significa que a Alerj não pode prosseguir com a seleção de um novo governador até que haja uma decisão do STF.
Expectativas para o Julgamento e Futuro Político
O presidente do STF indicou que o julgamento do caso deve ser pautado para a segunda semana de abril de 2026, embora a agenda exata ainda esteja em definição. As ações em análise envolvem a legalidade das regras eleitorais e se o pleito deve ser indireto ou direto.
Embora as normas estaduais prevejam que a eleição indireta prossiga até 30 dias após a formalização da vacância, o STF suspendeu esse cronograma. Se a decisão da Corte favorecer a eleição direta, o Tribunal Regional Eleitoral precisará criar um novo calendário, o que significaria que os eleitores do Rio de Janeiro teriam que votar duas vezes em 2026: uma para preencher a vaga temporária e outra para a eleição regular em outubro.
Quem Governa o Rio Durante Este Impasse?
Atualmente, a governança do Rio de Janeiro está sob a responsabilidade de um interino, uma vez que a presidência da Alerj também atravessa um momento delicado. O ex-presidente Rodrigo Bacellar foi cassado e preso, e a eleição do seu sucessor, Douglas Ruas, foi anulada pela justiça. Assim, até uma nova eleição e a posse do futuro governador, a situação política do estado permanece indefinida e repleta de desafios.

