Eleições Indiretas em Foco
Com as iminentes renúncias de governadores e vices, as Assembleias Legislativas do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte estão se preparando para realizar eleições indiretas. Essas chapas temporárias assumirão a administração dos estados até janeiro do próximo ano. Nos bastidores, alguns nomes já se destacam como possíveis sucessores, enquanto um debate jurídico se intensifica sobre as regras que regem esse tipo de eleição.
Se confirmadas as renúncias, a situação poderá resultar em uma chamada dupla vacância, a qual ocorre quando tanto o cargo do titular quanto o do vice estão vagos. Nesse contexto, uma nova eleição para o Executivo é convocada. Como o mandato se encontra em sua fase final, os novos governantes serão escolhidos de forma indireta, ou seja, sem a participação do voto popular.
Mandatos Estratégicos em Jogo
Embora esses “tampões” sejam considerados temporários, os mandatos têm a relevância de liderar os estados durante um período eleitoral crucial. Desde a redemocratização do Brasil, apenas três estados optaram por eleições indiretas para governadores: a Bahia, em 1994; o Tocantins, em 2009; e Alagoas, em 2022.
No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra está focando no secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), como seu sucessor. O petista é visto como o nome de “consenso” dentro do partido, tanto para esta eleição indireta quanto para as disputas que ocorrerão em outubro. No entanto, sua aceitação entre os deputados estaduais ainda gera incertezas.
Do lado da oposição, o empresário Roberto Serquiz, atual presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), é cogitado como candidato.
Expectativas no Rio de Janeiro
Em relação ao Rio de Janeiro, a antecipação de uma eleição indireta já estava em pauta desde o ano passado, especialmente após movimentações que resultaram na ascensão do vice de Cláudio Castro, Thiago Pampolha, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Essa estratégia foi articulada pelo então presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que, com a vacância do vice, se tornaria o próximo na linha sucessória. Ele era considerado um forte candidato em uma eleição entre os pares e poderia se estabelecer como representante governista nas eleições diretas.
No entanto, o cenário mudou drasticamente em dezembro passado, quando Bacellar foi preso na Operação Unha e Carne da Polícia Federal, o que resultou em seu afastamento da presidência da Assembleia.
Com a saída de Bacellar, dois secretários de Cláudio Castro aparecem como possíveis nomes para assumir o mandato-tampão: Nicola Miccione, da Casa Civil, e Douglas Ruas, da pasta de Cidades. Além disso, o nome do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, também é mencionado como uma opção fora das articulações governamentais.

