Histórias de Superação e Empoderamento Feminino no Esporte
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, relatos de superação e conquistas reforçam o papel essencial das mulheres no esporte brasileiro. Na última segunda-feira (16), a secretária Nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte, Iziane Marques, esteve presente no painel “Empoderamento Feminino no Esporte”, promovido pelo Ministério da Defesa, em Brasília.
O evento reuniu diversas atletas e lideranças esportivas para discutir os desafios e as oportunidades que as mulheres enfrentam no esporte de alto rendimento. Entre os participantes estavam a vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Yane Marques, além das atletas militares Ellen Caroline de Souza, Laura Amaro e Rebeca de Lima Santos, ambas beneficiárias do Programa Bolsa Atleta.
Durante o painel, as convidadas compartilharam suas trajetórias até o alto rendimento esportivo e enfatizaram como a prática esportiva pode transformar vidas, fortalecer a autoestima e criar oportunidades para meninas e mulheres. A halterofilista Laura Amaro, por exemplo, contou que seu amor pelo esporte começou na infância, quando se inspirou no futebol e na renomada jogadora Marta. “O esporte gera empoderamento. Sofri críticas em relação ao meu corpo, mas hoje entendo que ele faz parte da modalidade que pratico”, declarou.
Laura ingressou no Programa Forças no Esporte (PROFESP), no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro, e desde 2014 compete no levantamento de peso. Ela fez história em 2021 ao conquistar a medalha de prata no arranco, na categoria até 76 kg, durante o Campeonato Mundial de Tashkent, tornando-se a primeira brasileira a subir ao pódio mundial na modalidade.
A boxeadora Rebeca de Lima Santos também compartilhou sua experiência sobre como o esporte alterou seu destino. Originária do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, ela começou no boxe aos sete anos e encontrou na modalidade uma oportunidade de transformação social ao se juntar à organização Luta pela Paz. “Quero deixar um legado e ser uma referência para outras meninas. Usar a farda e conquistar uma medalha representa muito para mim”, comentou a atleta.
Por sua vez, a sargento meteorologista Ellen Caroline de Souza expressou seu orgulho de equilibrar a carreira militar com o esporte. Ela foi a primeira brasileira a alcançar o primeiro lugar no individual geral feminino no 60º Campeonato Mundial de Pentatlo Aeronáutico Militar. “Conciliar minha profissão com o esporte e inspirar os cadetes é extremamente gratificante”, afirmou.
O Esporte como Ferramenta de Transformação Social
Ao discutir as formas de estimular mais mulheres a se envolverem no esporte, Iziane Marques abordou como as experiências vividas no esporte refletem desafios semelhantes aos que se encontram na vida cotidiana. “O esporte se confunde com aquilo que a vida nos impõe todos os dias. Ele nos ensina a perseverar, a superar dificuldades, a cair e nos levantar. Esses aprendizados são essenciais para transformar realidades”, destacou.
Ex-atleta da seleção brasileira de basquete, Iziane também recordou sua própria jornada de superação. “Saí de uma comunidade vulnerável e encontrei no esporte a chave para mudar minha vida e a da minha família”, compartilhou.
A vice-presidente do COB, Yane Marques, sublinhou a relevância da presença feminina em posições de liderança no esporte. Medalhista olímpica no pentatlo moderno, Yane se tornou a primeira mulher a assumir a vice-presidência da entidade. “Não estou nesse cargo apenas por ser mulher, mas pela trajetória que construí como atleta. Estou totalmente dedicada a fazer um bom trabalho e representar todas essas mulheres”, declarou.
Para Yane, o esporte também oferece um legado significativo para as futuras gerações. “O legado que deixo é o incentivo para quebrar paradigmas. As mulheres precisam se preparar, aproveitar as oportunidades e ocupar os espaços que lhes pertencem”, finalizou.

