Encontro Estadual de Saúde destaca a importância da participação popular
No último dia 25 de março, o estado do Rio de Janeiro vivenciou um dos maiores encontros de mobilização em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), reunindo mais de 600 participantes no auditório do Windsor Guanabara Hotel. O evento, que antecede a 18ª Conferência Nacional de Saúde, teve como lema “SUS, Democracia e Soberania: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”. Durante a programação, foram promovidos importantes debates acerca do financiamento público, gestão participativa e a necessidade de fortalecer o Controle Social, visando garantir uma saúde universal e equitativa.
O foco central do encontro foi reforçar a discussão pública sobre a gestão e os recursos destinados ao SUS. A estrutura do evento girou em torno de três eixos principais: assegurar mais recursos para a saúde, fortalecer o controle social e expandir o acesso através de modelos de atendimento integrados e resolutivos. Além das questões técnicas, o evento destacou o papel fundamental dos Conselhos de Saúde, que servem como base para uma gestão democrática e conectam os planejadores das políticas de saúde aos usuários do sistema.
Cultura e história do SUS no centro do debate
A abertura do encontro contou com uma apresentação cultural que relembrou a história da formação do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, realizada pelo Grupo Bacurau, trouxe a realidade das comunidades para o foco do debate, enfatizando que a mudança política é resultado da organização e mobilização dos territórios.
Rosemary Mendes Rocha, suplente da presidência do Conselho Estadual de Saúde (CES-RJ), compartilhou sua experiência de 39 anos como servidora pública, ressaltando a importância da voz do território: “O território tem voz, tem dor, tem sonhos e alguém precisa escutar”. Ela caracterizou o SUS como um contínuo movimento de resistência. Patrícia Santana, da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio, destacou a postura proativa do conselho fluminense, afirmando que este é um “conselho combativo que luta pelo que acredita”. Ela também enfatizou a necessidade de um planejamento técnico firme, alertando que as demandas apresentadas ao SUS devem estar refletidas no plano municipal de saúde.
A voz dos usuários e a defesa do SUS
No período matutino, Vânia Bretas, coordenadora, reforçou que a qualidade da saúde pública está intrinsecamente ligada à participação ativa da população. A conselheira nacional Valquíria Alves recordou a famosa frase de Sérgio Arouca: “Democracia é saúde, saúde é democracia”. A plenária ecoou um clamor uníssono por estabilidade profissional, com o grito “Concurso público é agora!”, refletindo a urgência da demanda por um sistema de saúde mais robusto e eficaz.
Um dos momentos mais aguardados do encontro foi a transmissão de uma mensagem do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que enfatizou a nova abordagem do Ministério, que busca descer aos territórios e ouvir as demandas da população. O ministro celebrou conquistas, como a realização de 14,7 milhões de cirurgias em 2025, reforçando a importância de um SUS forte e presente.
Financiamento e valorização do trabalho como pilares da Saúde Pública
Na parte da tarde, os debates se concentraram em questões estruturais relacionadas ao financiamento e à valorização dos profissionais de saúde. Solange Belchior, conselheira estadual, coordenou uma mesa temática ressaltando objetivos claros: mais recursos, maior participação social e acesso ampliado, além da valorização dos trabalhadores. Eliane Cruz, da chefia de gabinete do Ministério, declarou a importância de ouvir críticas e destacou os esforços orçamentários, mencionando que o governo atual recuperou 40 milhões que haviam sido cortados anteriormente para a saúde.
Paulo Garrido, conselheiro nacional pela Fiocruz, expressou satisfação com a mobilização no estado, enquanto Regina Bueno, educadora popular, falou sobre sua paixão por atuar na saúde. André Ferraz, conselheiro do CES-RJ, trouxe à tona o “Protocolo da Carreira Única”, destacando a necessidade de debater a precarização e a valorização da força de trabalho no SUS.
A importância da participação ativa e a defesa do SUS
Os debates também abriram espaço para a voz direta de quem vivencia o dia a dia do controle social. Daniele Moretti, conselheira nacional e estadual, enfatizou a importância da presença física nos espaços de decisão e criticou o esvaziamento do plenário, reforçando que a luta pelos “órfãos” do sistema requer comprometimento integral.
Além disso, participantes como Carlos Alberto e Pedro trouxeram à tona a importância da estabilidade no serviço público, enfatizando que a permanência de condições adequadas de trabalho é essencial para garantir um atendimento de qualidade à população. Franklin Félix, do Ministério da Saúde, encerrou as falas ressaltando a importância de um SUS laico e inclusivo que atenda a todos, independentemente de credo ou origem, consolidando-o como um instrumento de justiça social.
Compromissos para o futuro e mobilização para abril
O encontro culminou com a leitura da “Carta de Compromissos em Defesa do SUS”, que reúne eixos prioritários como financiamento adequado, fortalecimento do controle social e ampliação do acesso por meio da atenção primária. A carta também destacou a justiça socioambiental como uma pauta fundamental para enfrentar as crises climáticas. A plenária solicitou a inclusão explícita da defesa de “concurso público” para garantir uma gestão pública efetiva e valorizada.
Como ação prática, o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Estadual de Saúde do RJ convocaram Audiências Públicas para o dia 7 de abril, em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, com o objetivo de conectar as lutas locais ao movimento nacional. O encontro foi encerrado de forma festiva com a apresentação da Escola de Samba Império de Charitas, destacando que a defesa do SUS é a defesa da vida e da soberania do Brasil.

