Fortalecendo a Saúde Pública em Moçambique
A Fiocruz recebeu, na semana passada, uma delegação do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique para reuniões focadas na estruturação da Escola Nacional de Saúde Pública do país. Essa parceria foi formalizada no ano passado durante uma visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique. Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, professores e pesquisadores da Fundação, com especialização na área da Educação, participaram de uma intensa agenda colaborativa que busca não apenas a implementação da escola em Moçambique, mas também a possibilidade futura de criar uma instituição voltada para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou a importância dessa cooperação, afirmando que Moçambique é um exemplo notável de colaboração entre Brasil e outros países na área da saúde. ‘A Fiocruz é protagonista nesse processo, com parcerias que visam fortalecer o sistema de saúde de Moçambique, aumentando sua capacidade de resposta a emergências e a desafios como as mudanças climáticas e doenças crônicas’, explicou Moreira. Ele também destacou o compromisso da instituição em trabalhar em conjunto para promover o acesso à saúde de qualidade em um Sul Global mais forte.
Uma Agenda Estratégica para o Futuro
A visita de cerca de 30 profissionais moçambicanos à sede da Fiocruz no Rio de Janeiro incluiu atividades organizadas por diferentes áreas da Fundação, como a Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação, a Coordenação-Geral de Educação e a Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais. Além disso, especialistas de unidades reconhecidas, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), contribuíram para a articulação da agenda.
Durante a missão, debates sobre diversos pontos cruciais ocorreram, incluindo a estrutura curricular, marcos regulatórios, desenho institucional, estratégias de internacionalização e mecanismos de avaliação da qualidade acadêmica, todos essenciais para a implementação da nova Escola Nacional de Saúde Pública em Moçambique.
Capacitando Moçambique para Desafios em Saúde
A cooperação com o INS visa ajudar Moçambique a desenvolver capacidades autônomas, fortalecendo seu sistema de saúde nacional por meio da qualificação de sua força de trabalho. Os profissionais da Fiocruz estão comprometidos em estabelecer as bases acadêmicas e pedagógicas necessárias para desenhar, implementar e sustentar propostas formativas em áreas prioritárias, que incluem Economia da Saúde, Clima, Ambiente e Saúde, Saúde Digital, e Planejamento e Gestão em Saúde.
Eduardo Samo Gudo, diretor do INS de Moçambique, mencionou que a missão ao Brasil foi extremamente produtiva. Ele sublinhou que o compromisso entre as instituições e o apoio político dos ministros de saúde e dos chefes de Estado de ambos os países, estabelecido durante a visita do presidente Lula em novembro de 2022, é fundamental. Gudo destacou a urgência da criação da escola, dada a crescente demanda por especialistas em saúde pública no contexto de emergências sanitárias e desafios demográficos enfrentados pelo país.
Construindo o Caminho para uma Educação em Saúde de Qualidade
Gudo enfatizou que ‘o contexto socioeconômico de Moçambique exige novas competências dos profissionais de saúde’, e por isso a criação da escola é vital. Ele reconheceu a experiência da Fiocruz como um recurso valioso, e afirmou que a colaboração com a instituição é uma oportunidade de aprendizado essencial. ‘Voltamos a Moçambique com a determinação de continuar essas discussões, confiantes no apoio e na dedicação que recebemos dos profissionais da Fiocruz’, disse.
A agenda no Brasil também abordou a implementação da Escola de Saúde Pública da CPLP, que terá ligação direta com o INS e será direcionada aos países da África de língua portuguesa, com sede em Moçambique. Essa discussão foi aprofundada em uma reunião entre Rivaldo Venâncio, chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, e Eduardo Samo Gudo, que se comprometeram a formar um grupo de trabalho para estruturar a proposta junto aos parceiros.
Durante a sua estadia na Fiocruz, a comitiva de Moçambique pôde compartilhar suas expectativas, compreender programas de pós-graduação e suas linhas de pesquisa, além de debater modelos pedagógicos e estratégias de implementação. Iniciativas como o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e o Campus Virtual Fiocruz foram apresentadas como potenciais colaboradores na construção dessa nova escola.
Ao final da visita, linhas de trabalho concretas foram estabelecidas, reafirmando o compromisso da Fiocruz em apoiar tecnicamente Moçambique. Essa colaboração é vista como um passo importante para a criação de um sistema de saúde robusto e alinhado às necessidades da população moçambicana.

