Protestos por Educação na Zona Rural
No dia 23 de janeiro, moradores do bairro Cascata, situado na zona rural de Porto Alegre, realizaram uma manifestação na Avenida Oscar Pereira. O objetivo era reivindicar a construção de uma escola de ensino fundamental prometida pela prefeitura em 2008, que até agora não saiu do papel. A indignação dos manifestantes aumentou após um vídeo divulgado pelo secretário estadual de Desenvolvimento Social, Beto Fantinel, ao lado do secretário municipal de Assistência Social, Matheus Xavier, que anunciou que o terreno previamente destinado à escola não seria mais utilizado para essa finalidade.
“A gente não tem uma escola municipal. As crianças vão muito longe. Uma criança de seis anos precisa de um responsável para levar. Estamos esperando essa escola desde 2008”, desabafou uma moradora em entrevista ao Correio do Povo. Os residentes afirmam que o terreno no Morro da Embratel foi oficialmente reservado para a construção da escola em 2008, e que, no Orçamento Participativo de 2011, foram alocados R$ 4,7 milhões para a obra. Atualmente, as escolas municipais mais próximas estão a cerca de três quilômetros de distância, com a realidade de não haver vagas suficientes para todos os alunos e a necessidade de usar dois ônibus, o que aumenta a despesa com passagens, que já chegou a R$ 5 em 2025.
Outro depoimento de uma moradora expôs a situação: “As nossas escolas não têm como receber mais alunos, e a área destinada para a escola está sendo usada para outra finalidade. Por isso fizemos o movimento, já que não estamos sendo ouvidos nos espaços que deveriam nos ouvir.”
Promessas Quebradas e Dilemas de Educação
A Prefeitura de Porto Alegre declarou que o espaço reservado para a construção da escola agora será utilizado para a criação de “módulos habitacionais” do Programa Estadual RS Social Recomeço, focado no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. No entanto, críticos argumentam que essa mudança representa uma demagogia, considerando o histórico de ações da prefeitura em relação à especulação imobiliária, especialmente em áreas como a vila dos papeleiros, onde a pobreza é frequentemente criminalizada.
A gestão atual, liderada por Sebastião Melo (MDB), tem sido frequentemente criticada por suas políticas que prejudicam a educação pública. Em outubro do ano passado, a articulação da prefeitura com o governador Eduardo Leite (PSD) resultou no fechamento de uma escola de ensino público, decisão amplamente reprovada por alunos, pais e professores. Além disso, em 2024, um novo projeto de concessão de 99 escolas estaduais à iniciativa privada por meio de parcerias público-privadas (PPP) gerou revolta na comunidade educacional, levantando preocupações sobre a mercantilização da educação no Estado.
A Crise da Educação Pública em Todo o País
Infelizmente, a situação em Porto Alegre não é uma exceção. Em todo o Brasil, a educação pública enfrenta uma crescente precarização e corporativização. Um exemplo alarmante é a gestão do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que tem implementado um conjunto de políticas que visam desmantelar a rede de ensino estadual, promovendo privatizações e mudanças drásticas nos modelos educacionais, como o Novo Ensino Médio (NEM).
As mobilizações da comunidade de Cascata refletem uma luta maior por direitos fundamentais que há muito tempo estão sendo ignorados. A exigência por uma educação pública de qualidade e acessível é uma demanda que se estende por várias regiões do país, mostrando que o problema é estrutural e demanda atenção urgente das autoridades competentes.

