Uma Viagem Cênica pelo Universo Musical de Jorge Ben Jor
Inspirado pela famosa canção “Magnólia” e pelo aclamado álbum A Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben Jor, o espetáculo ‘Magnólia’ faz sua estreia no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. A produção oferece uma leitura cênica livre da obra do icônico músico brasileiro, entrelaçando elementos de teatro, música ao vivo, dança e poesia falada.
Com a concepção, direção e atuação de Marina Esteves, e dramaturgia de Lucas Moura, o espetáculo se utiliza de imagens e referências das canções de Jorge Ben Jor para criar uma narrativa singular. Ao invés de narrar a vida do artista, a peça propõe imaginar histórias possíveis a partir de seu rico universo musical e simbólico.
Na trama, uma deusa astronauta, que habita entre estrelas e cometas, recebe de São Jorge uma missão especial: descer à Terra e vivenciar a vida humana. Ao longo dessa jornada, ela passa por diversas metamorfoses, culminando em sua transformação em uma mulher negra. Essa trajetória dialoga com temas relevantes como identidade, ancestralidade e a diáspora africana, refletindo questões contemporâneas de forma poética e sensível.
Além disso, a montagem estabelece um diálogo profundo com o universo filosófico e musical de A Tábua de Esmeralda, álbum lançado em 1974, que se consolidou como um dos mais emblemáticos da música brasileira, ressoando até os dias atuais.
Marina Esteves, ao falar sobre a proposta do espetáculo, destaca a intenção de explorar novas possibilidades narrativas que emergem da obra de Jorge Ben Jor. “Queremos enfatizar a alegria e a autoestima negra como formas de resistência e afirmação”, explica a diretora. Essa visão empresta ao espetáculo uma perspectiva inovadora, convidando o público a refletir e se emocionar com as histórias que permeiam a cultura negra e a musicalidade brasileira.
O espetáculo ‘Magnólia’ promete uma experiência rica e multifacetada, que não só celebra a música de Jorge Ben Jor, mas também convida todos a uma reflexão sobre identidade e transformação. Em tempos de debates acalorados sobre representatividade e inclusão, a peça se apresenta como um importante espaço de diálogo e reflexão cultural, reforçando a importância de vozes diversas dentro da cena artística brasileira.

