Reinvenção do Estilo Sertanejo
Considerada uma das principais representantes da nova geração sertaneja, a boiadeira Ana Castela vem se destacando por suas roupas vibrantes e curtas, que revelam a pele, alinhando-se ao estilo das it girls da atualidade. Por sua vez, Luan Pereira, também uma força emergente no gênero, tem investido em figurinos impressionantes, que incluem peças de alfaiataria durante suas apresentações, buscando inspiração no artista mexicano Peso Pluma, enquanto mantém a estética tradicional das festas de peão.
A stylist Maria Augusta Sant’Anna, responsável pelo visual de Ana desde 2023, destacou que a proposta é modernizar o estilo da cantora sem perder sua essência. “A ideia é ser contemporânea, mas mantendo a essência. É um country que é fashion, que se aproxima do pop mesmo”, explica.
Entre os elementos tradicionais do sertanejo, o chapéu de abas largas se mantém como um dos símbolos mais marcantes do estilo, adornando a cabeça de Ana Castela durante seus shows, um respeito à tradição sertaneja que não deixa de lado a modernidade.
Estilo e Tendências
A nova abordagem de Ana Castela em relação ao vestuário inclui roupas que são ainda mais ousadas do que as de suas predecessoras, refletindo o que as divas pop têm feito ao longo dos anos. Artistas como Simone Mendes e Lauana Prado também têm seguido essa tendência de figurinos mais curtos e brilhantes. A aplicação de pedrarias e brilhantes se tornou um verdadeiro fenômeno, especialmente notável na Festa do Peão de Barretos, onde as jaquetas de couro de vários artistas se destacaram por suas ostentações.
As tatuagens nas apresentações de Ana Castela também ganharam destaque. Apesar da desaprovação de sua mãe, Michele, a jovem boiadeira tem mostrado suas tatuagens de maneira mais visível, seguindo a tendência observada em outros artistas como Gusttavo Lima e Zé Neto, que também se tornaram assuntos nas mídias sociais.
Influências da Música Pop
A stylist Sant’Anna acredita que a ascensão dessa nova estética no sertanejo se fortaleceu especialmente após o lançamento do álbum “Cowboy Carter” de Beyoncé, que introduziu a ideia de uma diva pop que utiliza chapéu de couro e cavalga um cavalo brilhante. “Nos inspiramos em várias referências de Beyoncé desse momento. Mas brincamos que ela viu os looks da Ana também, porque o colete, o charrão de rodeio e os arabescos já eram coisas que ela usava muito”, comenta, fazendo uma brincadeira sobre as influências que vão além da moda.
Desde o lançamento do álbum, Ana Castela também começou a incorporar elementos visuais semelhantes em suas apresentações. Recentemente, o cenário dos shows sertanejos tem sido marcado por megaproduções, com artistas como Maiara & Maraisa, Simone Mendes e Luan Santana levando sua música a grandes palcos, muitas vezes exibindo uma chegada triunfal em carros luxuosos.
A Evolução do Sertanejo
A professora Lorena Abdala, da Universidade Federal de Goiás (UFG), observa uma adaptação significativa na indústria musical. “Não houve uma transformação, mas uma adaptação óbvia. O sertanejo, assim como outros gêneros, está cada vez mais preocupado com a forma como é percebido pelo público, buscando conquistar novos consumidores por meio de superproduções e visuais impactantes”, analisa.
Essa nova abordagem também se reflete na novela “Coração Acelerado”, onde a figurinista Sabrina Moreira mergulhou no universo goiano para criar a imagem dos cantores sertanejos, construindo um guarda-roupa que dialoga com a modernidade.
Para a fase em que a personagem Agrado, interpretada por Isadora Cruz, se torna uma sertaneja de sucesso, Moreira planeja looks ainda mais brilhantes e curtos. A influência do visual country de Beyoncé se faz presente aqui, refletindo a busca por uma nova imagem para a música sertaneja.
Um Público em Transformação
Gabeu, um dos novos nomes do queernejo e filho do cantor Solimões, reconhece como essa renovação no estilo sertanejo atende aos desejos de um público mais jovem, cada vez mais influenciado por diferentes gêneros musicais. “O público de Ana Castela e Luan Pereira, por exemplo, é majoritariamente adolescente e busca algo visualmente impactante. Beyoncé fez isso, mudando a percepção do que pode ser o chapéu, a fivela e a bota na cultura pop”, afirma.
Embora Beyoncé não tenha inventado a estética country, sua inclusão de elementos como calças de montaria e chapéus curvados trouxe uma nova leitura a essas vestimentas. A estilista Maria Augusta Sant’Anna ressalta que a introdução de novos elementos no visual de Ana Castela não significa desvirtuar o estilo do rodeio, mas sim traduzir o country para as novas gerações.
Ascensão das Divas Sertanejas
À medida que Ana Castela e outras mulheres do feminejo se firmam em seus papéis artísticos, elas começam a ser reconhecidas como divas, um termo que no Brasil ganhou uma conotação própria. Fausto Viana, historiador da moda e professor na USP, explica que a ideia de diva envolve não apenas a presença cênica, mas também uma forte personalidade e bom repertório. “As nossas divas não são figuras opacas, mas mulheres que assumem sua identidade e potência no palco”, diz.
A coragem das divas sertanejas também se reflete nas letras de suas músicas, alcançando públicos diversos, algo que muitas vezes não é o foco dos artistas masculinos. Assim, Ana Castela se destaca como uma figura não apenas do sertanejo, mas de uma nova era da música que busca inovar e se conectar com seus fãs.

