Novas Denúncias de Estupro Coletivo em Copacabana
Uma nova denúncia de estupro coletivo movimentou a Delegacia de Copacabana nesta terça-feira (3), quando uma jovem de 17 anos se apresentou à polícia afirmando ter sido vítima de um dos integrantes do grupo investigado por um ataque coletivo. Com esta nova declaração, já são três as jovens que relataram terem sido vítimas do mesmo grupo.
A jovem, acompanhada de sua mãe, prestou depoimento na 12ª DP. Ela identificou um dos suspeitos como Vitor Hugo Oliveira Simonin. O delegado Angelo Lages, que está à frente da investigação, comentou: “Essa terceira vítima está registrando a denúncia neste momento. As investigações estão apenas começando”.
Anteriormente, na segunda-feira (2), outra jovem havia procurado as autoridades, relatando que, quando tinha apenas 14 anos, também foi estuprada por pelo menos dois dos réus envolvidos no caso da adolescente. Hoje, aos 17 anos, ela decidiu falar sobre o ocorrido. Os réus envolvidos no ataque em Copacabana incluem:
- Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos (preso – se entregou na 12ª DP);
- João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos (preso – se entregou na 10ª DP);
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos (foragido);
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos (foragido).
As acusações envolvem crimes de estupro, agravados pela condição de menor da vítima, além de cárcere privado. A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente acatou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, que ressaltou a brutalidade dos atos sexuais e a violência empregada contra a vítima.
Além disso, um menor também está sob investigação. Até o momento, não há registros de mandados de apreensão expedidos contra ele. Dada a situação, a polícia desmembrou o inquérito e encaminhou uma solicitação ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para a análise de uma possível apreensão, considerando os fatos análogos ao crime. Este caso está sendo analisado pela Vara da Infância e da Juventude.
O delegado Angelo Lages ainda mencionou a possibilidade de solicitar a quebra do sigilo telemático do menor e de Mattheus, que se apresentou à polícia na terça, como parte das investigações.
Relatos de Outras Vítimas
A segunda vítima se apresentou na 12ª DP e relatou que, na época dos fatos, tinha apenas 14 anos, e que um dos envolvidos, o menor mencionado, era seu ex-namorado. Ela explicou que foi convidada a ir à casa de Mattheus Verissimo e, apesar de não conseguir levar uma amiga, foi sozinha. No local, ao lado do ex, ela foi surpreendida por outros quatro rapazes que invadiram o quarto.
A jovem descreveu que, inicialmente, ela concordou que os amigos do ex-namorado permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, segundo seu relato, os rapazes agiram de forma violenta, forçando-a a praticar sexo oral, além de sofrer agressões físicas. O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com violência sexual, e a perícia coletou materiais para exames genéticos.
Desde o início das investigações, o delegado incentivava que outras possíveis vítimas se apresentassem. A procura por justiça parece ter gerado resultados, com o surgimento de um novo relato esta semana.
Desdobramentos Judiciais
Em relação aos réus, a Justiça do Rio de Janeiro já havia negado habeas corpus solicitiados por três dos quatro maiores de idade envolvidos no caso. A TV Globo apurou que eles tentaram um recurso para suspender a prisão, mas o desembargador Luiz Noronha Dantas indeferiu os pedidos.
O caso permanece sob segredo de justiça, o que impede a divulgação de detalhes sobre os recursos. No entanto, as investigações continuam e a polícia está atenta a novos relatos.
O ataque, de acordo com o inquérito da 12ª DP, ocorreu na noite de 31 de janeiro, quando a jovem foi levada por um adolescente, que era seu ex-namorado, até o apartamento de um amigo. Imagens de câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao local e a entrada da adolescente, além de sua saída após os eventos.
Reações das Defesas
As defesas dos acusados têm se manifestado, com a defesa de João Gabriel Bertho negando as acusações e alegando que mensagens trocadas entre a jovem e seu amigo indicam que ela tinha ciência da presença dos outros rapazes. Além disso, a defesa afirma que João Gabriel, que não possui histórico de violência, não teve a oportunidade de se defender adequadamente durante a investigação.
A situação é delicada e a sociedade aguarda ansiosamente por respostas e justiça em um caso que expõe a vulnerabilidade de jovens e a gravidade da violência sexual.

