Mudanças na Alerj e suas Implicações Políticas
Recentemente, a política fluminense foi abalada por uma onda de exonerações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). De acordo com o RJ2, assessores vinculados a ex-presidentes da Alerj e a parlamentares com forte influência na política local perderam seus cargos. A medida afeta diretamente a estrutura de poder dentro da Casa e evidencia as mudanças em um cenário político marcado por alianças e desavenças.
Um dos nomes destacados nas exonerações é o deputado federal Max Lemos, do PDT, que conta com 25 assessores em seu gabinete em Brasília. Na Alerj, o número de pessoas ligadas a ele é ainda mais expressivo. Um documento obtido pelo RJ2 aponta que 29 colaboradores de Max Lemos foram exonerados, restando apenas dois em seus cargos.
Entre os exonerados, está Leonel Rodrigues Lemos, irmão de Max, além de sua esposa, Ana Paula Lemos, que, apesar de ser servidora concursada, perdeu um cargo comissionado. Max Lemos, que ocupou a função de deputado estadual entre 2019 e 2022, era próximo do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, morto em 2021, e herdou a influência política dele.
Na sequência das exonerações, André Ceciliano, do PT, que sucedeu Picciani na presidência da Casa, também viu um número considerável de aliados sendo exonerados. Foram 62 funcionários ligados a Ceciliano dispensados em uma única terça-feira, revelando a fragilidade das relações na Alerj. Carlos Soton e Alex Soares, comunicadores da Baixada Fluminense e próximos a Ceciliano, destacam a relevância dessas mudanças para o cenário político local.
A história recente de exonerações na Alerj também inclui os ex-presidentes Paulo Melo e Sérgio Cabral, que tinham indicações na Casa, como o filho de Cabral, Marco Antônio Cabral, que foi nomeado em 2023. Entre os demitidos, destaca-se Aislan de Souza Coelho, que atuou como administrador financeiro da campanha de Bacellar em 2022 e foi subdiretor de Controle Interno da Alerj até sua exoneração.
Rafael Diniz, ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e subdiretor-geral de Informática, e Antonio de Pádua, que trabalhava na Diretoria de Engenharia, também foram dispensados. Diniz é conhecido por sua atuação em Campos, reduto eleitoral de Bacellar, enquanto Pádua, em entrevista ao RJ2 em 2023, reconheceu ter contribuído em obras em uma mansão em Teresópolis, onde Bacellar costumava passar os fins de semana.
As exonerações na Alerj ocorreram pouco após a prisão de Bacellar, em dezembro, que é investigado por suspeitas de vazar informações sobre uma operação contra o ex-deputado TH Joias, suposto braço político do Comando Vermelho. Desde então, cargos estratégicos ocupados por indicações de Bacellar, como diretor-geral e chefe de gabinete, foram preenchidos por novos nomes, indicando uma mudança significativa na estrutura da Casa.
Além disso, o ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, responsável pela segurança da Alerj, também enfrentou exoneração, assim como outros chefes de departamentos essenciais. O deputado Max Lemos defendeu sua esposa, afirmando que ela é servidora concursada há mais de 25 anos e ocupou diversos cargos antes de se casarem. Ele também ressaltou que seu irmão é servidor concursado há mais de 30 anos, enfatizando que algumas exonerações ocorreram, mas que a escolha de manter servidores se baseia em desempenho técnico, embora desconheça o número exato de aliados demitidos.
Por sua vez, André Ceciliano justificou que os funcionários dispensados foram nomeados na estrutura da Casa durante sua presidência e que, apesar das exonerações, eles continuavam exercendo suas funções diárias. O deputado destacou que a nomeação e exoneração de funcionários são prerrogativas do presidente da Alerj, tornando o processo parte da dinâmica política atual.

