Uma Reflexão sobre Memória e Digitalidade
A exposição “Subterrâneos a céu aberto” estreou na Universidade Federal Fluminense (UFF) trazendo um acervo inédito de imagens e vídeos sobre os atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro em Brasília. O evento, que ocorreu no último domingo (8), ficou marcado pela invasão e vandalismo nas sedes dos Três Poderes, onde manifestantes, convocados por redes sociais e vândalos acampados há meses em frente ao Quartel General do Exército, geraram cenas de destruição. As imagens, registradas por participantes das manifestações, foram coletadas e estão em exibição até 10 de maio no Centro de Artes da UFF, localizado na Rua Miguel de Frias, nº 9, em Niterói.
O acervo é parte do projeto Acervo Digital 8 de Janeiro, desenvolvido pelo Condado Lab da PUC-Rio com apoio de várias instituições de pesquisa. Ao longo de mais de dois anos, foram reunidos cerca de 1,2 milhão de metadados, 400 mil imagens e 100 mil vídeos. Estes conteúdos, que circularam intensamente nas redes sociais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023, em muitos casos, foram deletados, o que torna a preservação ainda mais relevante. A exposição busca, assim, servir como uma fonte para pesquisa, ensino e discussão pública.
Uma Experiência Imersiva
Os visitantes da exposição vivem uma experiência imersiva ao percorrer quatro ambientes distintos: labirinto, mosaico, acampamentos e caverna. Cada espaço combina elementos visuais e sonoros, incluindo reconstruções de cenários e composições criadas por artistas convidados. Marcelo Alves, coordenador do projeto, destacou o desafio de transformar um vasto volume de dados em uma experiência acessível. “O grande desafio foi criar uma narrativa que permitisse ao público compreender como esses conteúdos circularam e o que revelam sobre aquele momento histórico”, explicou.
A proposta da exposição vai além da simples apresentação de dados; ela também provoca uma reflexão profunda sobre o uso de símbolos e as disputas de significado no Brasil atual. A bandeira nacional, que teve um papel central nos atos, é ressignificada nas obras, instigando um debate acerca das tensões políticas e sociais que permeiam o país.
Papel da Universidade na Preservação da Memória
De acordo com o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, a mostra representa uma importante contribuição para a preservação da memória contemporânea. “Ao trazer à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a vulnerabilidade da memória em tempos de plataformas digitais, a universidade reafirma seu papel como um espaço de reflexão. Através da articulação de dados, arte e tecnologia, buscamos garantir que o passado não seja esquecido, mas sim entendido para proteger o futuro”, afirmou Nobrega.
Portanto, a exposição “Subterrâneos a céu aberto” não apenas documenta um momento crucial da história recente do Brasil, mas também promove um espaço para discussão sobre os desafios da memória na era digital. Com a utilização de tecnologia e arte, a UFF fortalece sua atuação como um centro de debates sobre cidadania e justiça de transição na sociedade brasileira.

