Uma Exposição que Desafia Narrativas Históricas
No dia 4 de novembro de 2025, às 19h, o Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) será palco da inauguração da exposição “O Brasil Pitoresco de Sérgio Adriano H: Passado – Presente”. Com curadoria de Juliana Crispe, a mostra apresenta mais de 140 obras, das quais 73 são inéditas. Este percurso visual crítico aborda temas como memória, corpo e a história oficial do Brasil, promovendo uma reflexão sobre como esses elementos se entrelaçam.
A curadora Juliana Crispe destaca: “Sérgio Adriano H, ao articular passado e presente, estabelece um poderoso diálogo entre a memória e o agora. Suas obras trazem à tona uma consciência de que o passado não é algo estanque, mas sim uma realidade que permeia as estruturas sociais e simbólicas contemporâneas.”
Financiada pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura de 2024, essa mostra sinaliza o retorno do artista ao estado onde sua jornada artística começou. É um gesto significativo em prol da valorização da arte de Santa Catarina. Sérgio já é um nome reconhecido, acumulando sete prêmios Anderle, mais de 40 premiações no total e participações em 220 exposições, tanto nacionais quanto internacionais, além de estar presente em acervos de instituições renomadas como MAC USP e MAM São Paulo.
Reescrevendo a História Através da Arte
Em diálogo com a curadora, o artista propõe um enfrentamento ao legado pictórico deixado por Debret e Rugendas, artistas Europeus que retrataram o Brasil sob uma ótica colonial e exótica. Sérgio Adriano H desafiava essas representações ao colocar o corpo negro no centro da narrativa histórica, promovendo uma reinterpretação do imaginário brasileiro. A exposição incluirá uma diversidade de formatos, como fotografias, esculturas e registros de performances, todas com o intuito de contestar a iconografia predominante e oferecer novas perspectivas.
“Esse trabalho é uma reexistência que desafia as verdades estabelecidas nos livros de história e nas imagens coloniais. A proposta é mostrar o Brasil através de um olhar afro-brasileiro, vibrante e enraizado na memória dos meus ancestrais”, explica o artista.
A visitação à mostra será gratuita e estará aberta ao público de 5 de novembro de 2025 até 4 de janeiro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 21h.
Programação Formativa enriquece a Exposição
Além da exibição, o MASC promoverá uma série de palestras e atividades formativas, com foco em memória, arte, educação, resistência e decolonialidade. Nos dias 5 e 6 de novembro, e 9 de dezembro, sempre das 19h às 20h, destacadas pesquisadoras estarão presentes:
- 05/11 – Histórias e Resistências Visuais, com Dra. Carol Carvalho e Dra. Célia Maria Antonacci
- 06/11 – Arte, Educação e Decolonialidade, com Dra. Cláudia Mortari
- 09/12 – Relações de poder e resistência, com Dra. Flávia Medeiros
No dia 29 de novembro, das 14h às 18h, será realizado o workshop “Como a imagem nos leva a pensar”, focado na fotoperformance, uma linguagem que permeia o trabalho de Sérgio. A atividade é gratuita e destinada a artistas, estudantes de artes, professores e interessados a partir de 16 anos, com 20 vagas disponíveis. As inscrições deverão ser feitas via e-mail.
Na mesma data, às 18h, o artista apresentará a performance “desCOLONIZAR CORpos”, com duração de 23 minutos, que integra arte, crítica e corporeidade em uma intervenção pública que amplia a experiência da exposição.
Sobre a Curadora e o Artista
Juliana Crispe, curadora da exposição, é professora e artista visual natural de Florianópolis (SC), com uma extensa trajetória que inclui mais de 150 exposições no Brasil e no exterior e atuações em importantes instituições, como o Conselho Deliberativo do MASC e a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).
O artista Sérgio Adriano H, oriundo de Joinville, é um importante representante da arte afro-diaspórica, com uma formação que abrange Artes Visuais e Filosofia. Sua carreira é marcada por exposições distintas e reconhecimentos, como a Medalha Cruz e Sousa, a maior honraria em artes de Santa Catarina.

