Falta de Professores Compromete Educação em Niterói
Responsáveis por alunos da rede municipal de Niterói têm manifestado preocupação com a carência de professores regentes e de apoio nas escolas da cidade. De acordo com relatos de pais, algumas unidades estão enfrentando dificuldades significativas, resultando na redução da carga horária de alunos com deficiência ou em um sistema de rodízios para que consigam acompanhar as atividades escolares. Embora as queixas sejam frequentes, a Secretaria de Educação local afirmou que não recebeu denúncias formais, mas garantiu que as informações estão sendo verificadas.
Uma mãe, que preferiu manter sua identidade em sigilo, compartilhou a situação angustiante de sua filha, aluna de 10 anos da Escola Municipal Doutor Alberto Francisco Torres, localizada no Centro. Ela destacou que a ausência de professores em diversas disciplinas tem impactado a frequência da criança às aulas. “Desde o início do ano letivo, aulas como artes, educação física e língua estrangeira, que deveriam ser oferecidas, estão sem professores. Dizem que haveria também aula de música, mas até agora nada aconteceu. Na última quinta-feira, minha filha não foi para a escola porque a situação é insustentável. Para ficar lá sem aprender, é melhor ficar em casa”, lamentou.
Além disso, a mãe apresentou um abaixo-assinado com a assinatura de vários responsáveis, que expressam a insatisfação com a falta de docentes nas escolas.
Denúncias e Medidas Emergenciais
Um levantamento realizado pelo vereador Professor Tulio revelou que denúncias similares foram feitas em diversas unidades da rede municipal. Entre as escolas mencionadas estão a Levi Carneiro, a UMEI Senador Vasconcelos Torres e a Felisberto de Carvalho. O vereador enfatizou que, devido à escassez de profissionais de apoio, algumas instituições têm adotado medidas emergenciais, como a redução do tempo de permanência de alunos com deficiência ou a implementação de revezamento entre estes estudantes que precisam de acompanhamento especializado.
O vereador também observou que essa escassez de profissionais ocorre mesmo após a realização de um concurso público para a função, cujo certame teve sua validade expirada no primeiro semestre de 2025, sem prorrogação por parte da prefeitura, apesar da previsão no edital para extensão por mais um ano.
“O que estamos presenciando em Niterói é uma violação sistemática e cruel do direito fundamental à educação e à inclusão das nossas crianças com deficiência. Desde 2021, nosso mandato tem denunciado a falta de professores de apoio, resultando em uma vitória judicial que obrigou o município a contratar 150 novos profissionais via concurso público em 2024. No entanto, esse número foi insuficiente para sanar a demanda na rede. Em 2025, a gestão municipal decidiu não prorrogar a validade do concurso, assim descartando a convocação do cadastro de reserva, o que poderia ter contribuído para resolver essa questão”, afirmou o vereador.
Além disso, o caso está sendo tratado na Justiça. Uma representação foi encaminhada ao Ministério Público pedindo a prorrogação do concurso, gerando uma ação civil pública que ainda está em andamento.

