Banco Master em Crise Financeira
O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) trouxe à tona detalhes preocupantes sobre a situação do Banco Master. O banqueiro destacou a proximidade com figuras do poder, em especial o governador Ibaneis Rocha, e apontou a falta de liquidez como um dos principais problemas da instituição. A PF investiga a liquidação extrajudicial do banco, que foi decretada pelo Banco Central devido a indícios de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), totalizando R$ 12,2 bilhões.
Durante a sua declaração, Vorcaro ressaltou que o Master utilizava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como base para suas operações financeiras. Ele mencionou que alterações nas regras do FGC, segundo sua versão, foram responsáveis por complicar ainda mais a captação de recursos. “Essas mudanças obrigaram o banco a buscar outras fontes de financiamento no mercado”, afirmou, insinuando que a pressão de outros bancos contribuiu para a crise enfrentada.
O Papel do Fundo Garantidor de Créditos
O FGC atua como um mecanismo de proteção aos correntistas em casos de intervenção ou falência de instituições financeiras. Com mais de 40 casos em seus 30 anos de existência, o fundo promete um pagamento recorde de R$ 41 bilhões aos investidores do Banco Master, que possuíam aplicações de até R$ 250 mil. Vorcaro defendeu que o planejamento de negócios do banco era totalmente fundamentado no FGC, desqualificando qualquer alegação de irregularidade.
Entretanto, o cenário se agravou com a necessidade de buscar novos meios de captação, levando o Master a ser alvo de uma suposta campanha para desestabilizar sua imagem. Neste contexto, as relações políticas de Vorcaro foram questionadas, levando-o a ter encontros frequentes com o governador Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025, tanto em sua residência quanto na casa do governador.
Transferências e Questionamentos sobre Gestão
Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, um montante que despertou a atenção do Ministério Público, que investiga possíveis indícios de gestão fraudulenta nas transferências feitas. Vorcaro admitiu que mais de R$ 12 bilhões foram utilizados na aquisição de carteiras de crédito que não pertenciam ao Master, resultando em um investimento sem lastro.
No decorrer do depoimento, Vorcaro foi questionado sobre suas interações com autoridades para tratar da venda do Master ao BRB, confirmando apenas os encontros já mencionados com Ibaneis e autoridades do Banco Central. Ele rebateu as informações que sugerem um envolvimento mais amplo nas esferas políticas, enfatizando que, se realmente tivesse tantas conexões, não estaria atualmente sob medidas cautelares, incluindo prisão domiciliar.
Prisão e Surpresas Inesperadas
Sobre sua prisão no Aeroporto de Guarulhos, em novembro, Vorcaro alegou que foi surpreendido. Ele negou qualquer intenção de fuga e afirmou ter comunicado sua viagem ao Banco Central. O banqueiro declarou que havia viajado a Dubai para discutir a venda do Master e que, em nenhum momento, imaginou enfrentar a prisão. Após 12 dias encarcerado, Vorcaro agora cumpre pena em casa.
Durante uma acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, realizada após seu depoimento, Vorcaro negou ter realizado qualquer pagamento para a aquisição de uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões. Ele esclareceu que o valor ficou registrado apenas em uma conta reserva, sem movimentação efetiva de recursos do caixa do banco.
Com isso, Vorcaro reiterou que a crise de liquidez se intensificou após sua prisão, especialmente com a liquidação do banco, que ocorreu logo em seguida. A situação do Master continua sob rigorosa investigação, enquanto as implicações de suas declarações podem trazer mudanças significativas no cenário político e financeiro da região.

