A expectativa de mudança na escala 6×1
O debate sobre a possível extinção da escala 6×1, um regime de trabalho que exige que os funcionários labutem por seis dias com apenas um dia de descanso, está ganhando força no Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que a votação sobre essa pauta será uma das prioridades legislativas deste ano, uma notícia que gerou otimismo entre muitos parlamentares e trabalhadores.
Rick Azevedo (PSOL), vereador no Rio de Janeiro e um dos principais ativistas contra essa carga de trabalho exaustiva, se destacou no cenário político após viralizar com um desabafo em suas redes sociais. Ele foi o vereador mais votado do PSOL no último pleito e, com o apoio de sua campanha, iniciou uma petição que já conta com quase 3 milhões de assinaturas, unindo esforços para a criação do movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Em uma entrevista concedida à BBC News Brasil, Azevedo expressou sua confiança na aprovação da proposta ainda no primeiro semestre de 2024. Entretanto, dados recentes de pesquisas realizadas pelo instituto Genial/Quaest revelam que o cenário entre os parlamentares é complexo. Enquanto 72% da população brasileira apoiam o fim da escala 6×1, apenas 42% dos deputados se mostram favoráveis à mudança, enquanto 45% estão contra — os 13% restantes não se manifestaram.
A resistência dos parlamentares
Embora a bancada oposicionista tenha diminuído em relação a julho de 2025, quando 70% eram contrários à proposta, Azevedo se diz otimista, alegando que os parlamentares, mesmo aqueles que são influenciados por interesses econômicos, precisam do apoio popular para se reeleger. “Eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do povo”, afirma o vereador.
Azevedo não hesita em criticar a postura de economistas e empresários que se opõem à mudança, acusando-os de perpetuar um modelo que só beneficia uma minoria em detrimento da classe trabalhadora. “Se eu estivesse falando para você aqui agora, ‘vamos acabar com a escravidão no país’, os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ía quebrar”, sustenta.
Ele aponta que essa lógica já foi aplicada ao 13º salário, às férias remuneradas e à licença maternidade, sempre com a mesma justificativa: o temor de um colapso econômico. “A mensagem que eles querem passar é de que não podemos avançar nos direitos trabalhistas porque isso traria uma catástrofe econômica”, critica Azevedo, enfatizando que, na realidade, essa narrativa é usada para manter os trabalhadores em condições precárias, trabalhando seis dias por semana e recebendo salários muitas vezes insuficientes para viver dignamente.
A discussão sobre a escala 6×1 reflete uma urgência em repensar os direitos trabalhistas no Brasil, especialmente em um momento em que a sociedade se mobiliza em busca de justiça social e melhores condições de trabalho. A luta de Rick Azevedo e outras vozes nesse movimento é um testemunho de que, apesar da resistência, há uma crescente pressão por mudanças que respeitem a dignidade do trabalhador.

