Apoio ao Fim da Escala 6×1 Cresce entre os Brasileiros
Uma recente pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1. O estudo, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 3 e 5 de março, sugere que a implementação gradual dessa mudança, adaptada por setor, pode atenuar os riscos econômicos associados. Apenas 27% dos entrevistados se manifestaram contra essa alteração, enquanto 3% optaram por não responder.
Esse aumento no apoio à redução da jornada de trabalho é notável quando comparado a uma pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2024, onde 64% dos participantes se mostraram a favor da mudança, e 33% se opuseram. As economistas e analistas se dividem sobre a viabilidade das empresas em acomodar um aumento nos custos com mão de obra, considerando a proposta de redução das horas de trabalho.
Impactos da Proposta na Vida dos Trabalhadores
De acordo com Míriam Leitão, a maioria da população acredita que a eliminação da jornada 6×1 pode resultar em melhorias na qualidade de vida e na produtividade. A nova proposta sugere uma jornada de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, conhecida como escala 5×2. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê essa pauta como prioritária, especialmente em um ano eleitoral, visando a popularidade entre os eleitores.
No contexto das mulheres trabalhadoras, Lula enfatizou que essa mudança poderia aliviar a carga dupla enfrentada por muitas delas, que frequentemente acumulam as responsabilidades do trabalho formal e das tarefas domésticas. A análise da pesquisa ainda revela que as mulheres são as maiores apoiadoras dessa mudança, com 77% delas a favor, em contraste com 64% dos homens.
Divisões nas Opiniões sobre a Jornada de Trabalho
A pesquisa identificou um aspecto interessante: entre os trabalhadores que já atuam em uma jornada de cinco dias (53%), a maioria manifesta apoio à redução da jornada. Por outro lado, entre aqueles que trabalham seis ou até sete dias, a adesão à mudança é menor, com 68% a favor. Este fenômeno pode ser atribuído à maior proporção de autônomos e empresários nesse último grupo, que percebem a jornada mais longa como uma oportunidade para aumentar a renda.
O debate sobre a jornada de trabalho ganhou força nas últimas semanas, impulsionado por declarações de autoridades, como os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Na última terça-feira (10), a Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir propostas de alteração do modelo de jornada de trabalho. A aprovação dessa matéria é o primeiro passo para que o assunto avance no Legislativo.
Percepções sobre os Impactos Econômicos
Quando perguntados sobre os possíveis impactos da mudança para as empresas, as opiniões se dividiram: 39% acreditam que o fim da escala 6×1 trará efeitos positivos, enquanto 39% consideram que terá consequências negativas. Essa percepção mudou em relação à pesquisa anterior, em que 42% dos entrevistados viam a mudança de forma desfavorável.
Sobre as repercussões para a economia, 50% dos participantes afirmaram que o fim da escala 6×1 terá um efeito positivo ou bom. Contudo, 24% temem que a mudança acarretará consequências ruins ou péssimas. Quando analisadas as opiniões sobre os impactos na vida dos trabalhadores, 76% dos entrevistados mencionaram que a redução da jornada será benéfica para a qualidade de vida, índice que sobe para 81% entre aqueles que trabalham até cinco dias na semana. Entre os que atuam seis ou sete dias, esse percentual é de 77%. Não souberam responder 1% dos entrevistados.

