Análise sobre os Ganhos Potenciais com a Reversão do Tarifaço
O recente desfecho da questão do tarifaço imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode representar uma oportunidade significativa para a balança comercial brasileira. De acordo com estimativas de analistas ouvidos pela VEJA, o Brasil poderia lucrar até 2 bilhões de dólares ao ano com o aumento das exportações. Esta expectativa vem à tona após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o aumento das tarifas sobre produtos importados, uma medida que afetava diretamente o comércio com diversos países, incluindo o Brasil.
André Valério, economista sênior do Inter, destaca que o Brasil, juntamente com nações como China e Canadá, tem tudo para ser um dos principais beneficiados por essa decisão judicial. Ele ressalta que a tarifa aplicada ao Brasil é uma das mais distantes da tarifa padrão de 15%, o que implica um potencial de recuperação bastante favorável. Mesmo com alguns recuos anteriores por parte do governo americano, Valério observa que mais de 50% das exportações brasileiras ainda estavam sob o peso de uma tarifa de 50%.
“Com a nova decisão, a alíquota deve cair para 15%, o que favorecerá principalmente a indústria de transformação, que depende do mercado americano e que antes enfrentava tarifas mais altas”, explica Valério. Contudo, ele alerta que as tarifas julgadas ilegais são as que foram anunciadas no dia 2 de abril, enquanto as tarifas sobre aço e alumínio permanecem em vigor, impactando negativamente as exportações brasileiras.
Expectativas para 2026 e Desafios à Vista
Os analistas, no entanto, são cautelosos ao projetar os ganhos que o Brasil poderá ter até 2026. Fatores como a atividade econômica interna, a capacidade produtiva e o volume de exportações são cruciais para uma projeção mais realista. Assim, eles enfatizam que a quantia mencionada de 2 bilhões de dólares é apenas uma estimativa e pode não representar a realidade das vendas brasileiras no âmbito do comércio com os Estados Unidos.
Carlos Pinto, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), acredita que, mesmo que as tarifas sobre aço e alumínio não sejam eliminadas, a flexibilização de parte das tarifas pode proporcionar uma recomposição de receitas externas entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de dólares ao ano, dependendo do desenho final das medidas a serem revisadas. Em 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos já enfrentaram uma queda de 6,6%, correspondendo a 2,6 bilhões de dólares, reflexo das tarifas impostas anteriormente por Trump.
Andressa Gomes, coordenadora do MBA em Gestão Tributária da FIPECAFI, acrescenta que grandes empresas que exportam alimentos, bens industriais e celulose podem ser beneficiadas com a reversão do tarifaço. No entanto, ela também indica que a recuperação não será instantânea. “Em um mercado globalizado, os efeitos reais não se manifestam de maneira automática após uma decisão da Suprema Corte dos EUA”, destaca Gomes.
Desafios Persistentes e o Cenário Incerto
Apesar das expectativas positivas, os especialistas ressaltam que a questão está longe de um desfecho final. A decisão da Suprema Corte pode limitar a aplicação de tarifas por Trump utilizando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Contudo, o ex-presidente já manifestou sua intenção de buscar outras alternativas legais para a imposição de tarifas.
Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 20, Trump mencionou que pretende assinar um novo decreto aplicando uma tarifa global de 10% com base em outra legislação. “Podemos usar outras leis para estabelecer tarifas que já foram confirmadas e são permitidas”, afirmou Trump, citando a Seção 232, que autoriza a taxação sobre o aço.
Portanto, os 2 bilhões de dólares em ganhos potenciais para a balança comercial brasileira continuam incertos. O que virá a seguir dependerá das políticas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, especialmente após Trump indicar a possibilidade de novas tarifas que poderiam contornar a decisão da Suprema Corte.

