Crime Chocante Abala Comunidade
Um funcionário de uma ONG que atuava em projetos sociais no Rio de Janeiro foi brutalmente torturado e assassinado por milicianos em Rio das Pedras, uma comunidade na Zona Oeste da cidade. Jonathan Batista, que trabalhava no programa 60+ Reabilita, voltado para a assistência a idosos, teve seu corpo exposto nas ruas, um ato que gerou indignação e reforçou o clima de medo entre os moradores da região.
A irmã de Jonathan, que esteve no Instituto Médico-Legal (IML), relembrou com carinho a personalidade do irmão. “Ele era um homem de boa índole, alegre e prestativo. O melhor tio que duas crianças poderiam ter”, expressou com dor. O ato de violência contra Jonathan destaca não apenas a perda de uma vida, mas a crescente insegurança que assola muitas comunidades cariocas.
Investigação em Andamento
As investigações da Delegacia de Homicídios apontam que Jonathan pode ter sido morto pela milícia local, que suspeitou dele por supostas relações com o tráfico de drogas. A irmã da vítima revelou que o corpo apresentava marcas evidentes de tortura, confirmando a brutalidade do crime. “Meu irmão sofreu muito, ele estava amarrado”, desabafou.
Outra hipótese investigada é que o assassinato teve como objetivo atingir a Associação de Moradores de Rio das Pedras, onde Jonathan também exercia suas atividades. Ele era responsável por projetos de reabilitação, fisioterapia e por documentar condições precárias da comunidade para solicitar melhorias. “Ele trabalhava tanto na associação quanto diretamente na comunidade, buscando mudanças”, afirmou sua irmã.
Contexto da Violência na Região
Rio das Pedras, notavelmente a segunda maior favela do Brasil em número de domicílios ocupados, está sob controle intenso de grupos milicianos. De acordo com as informações da polícia, quatro homens estão envolvidos na morte de Jonathan, incluindo um dos líderes da milícia, Kauã de Oliveira Teles, que assumiu o controle do grupo criminoso após a prisão do irmão, Gerlan Anacleto de Oliveira, em 2023.
A situação é ainda mais alarmante, pois a Delegacia de Descoberta de Paradeiros encontrou, na semana passada, um cemitério clandestino em Rio das Pedras, onde foram localizados pelo menos 14 corpos de vítimas da milícia, enterrados de maneira irregular e sem identificação. Esses dados somente aumentam a sensação de insegurança na área.
Aumento do Controle Miliciano
Moradores relataram que, após a descoberta do cemitério, a vigilância exercida pela milícia se intensificou. As rondas diárias foram aumentadas e os criminosos passaram a exigir senhas de celulares dos moradores para monitorar suas conversas. Essa situação evidencia o impacto da violência na rotina da comunidade, em que o medo se tornou parte do cotidiano.
Em resposta à crescente situação de violência, o governo do estado anunciou planos de ocupar Rio das Pedras nos próximos meses, seguindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, que demanda um plano de reocupação em áreas dominadas pelo crime organizado. A ação é um esforço para trazer segurança e dignidade aos moradores da região.
A irmã de Jonathan, abalada com a tragédia, lamentou a realidade brutal em que o irmão vivia. “Ele era uma pessoa inocente, que não merecia o que aconteceu. Infelizmente, a maldade está presente em cada canto onde ele morava”, concluiu, refletindo sobre a urgência de mudanças e proteção para aqueles que ainda habitam a comunidade.

