Estratégias do Brasil para Mitigar Efeitos da Nova Cota de Importação Chinesa
O governo brasileiro anunciou que está monitorando com atenção as recentes decisões da China sobre a importação de carne bovina. Em comunicado oficial, a administração afirmou que está trabalhando em conjunto com o setor privado para enfrentar os desafios impostos por essas novas medidas. O Brasil continuará a dialogar com as autoridades chinesas tanto em nível bilateral quanto nas instâncias da Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando soluções que minimizem os impactos negativos.
A nova política de importação da China terá um período de validade de três anos e estabelecerá uma cota inicial de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para o Brasil. As exportações que excederem esse limite estarão sujeitas a uma sobretaxa elevada de 55%, o que pode impactar diretamente o comércio bilateral. Conforme detalhado na nota, “as medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens”.
O governo brasileiro destacou que o objetivo principal é mitigar os efeitos dessa decisão, visando proteger os trabalhadores e produtores do setor pecuário nacional. A medida chinesa, segundo informações do Ministério do Comércio da China, é uma reação ao crescimento das importações de carne bovina que, segundo o ministério, tem gerado dificuldades para a indústria local.
A China, que ocupa a posição de maior importador e segundo maior consumidor mundial de carne bovina, se vê agora em um cenário de escassez dessa commodity. Nos últimos meses, o governo de Pequim tem intensificado suas ações de apoio ao setor pecuário interno, em resposta ao aumento global nos preços da carne bovina.
Na quarta-feira, o governo chinês revelou a implementação de cotas anuais para a importação de carne bovina, visando proteger seus produtores locais. Além da limitação do volume de importações, será aplicada uma taxa de 12% sobre as compras que se enquadrarem na cota e uma sobretaxa de 55% sobre o que exceder esse limite. Essa informação foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
As novas regulamentações entrarão em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e permanecerão válidas por três anos. Para o ano de 2026, a cota total de importação estabelecida pela China está fixada em 2,7 milhões de toneladas, com um aumento gradual estipulado para os próximos anos.
Em termos de quotas por países, o Brasil se destaca, sendo o principal beneficiário da cota de 1,1 milhão de toneladas no próximo ano. No entanto, esse volume é inferior ao que o país exportou para a China em 2025, que alcançou 1,52 milhão de toneladas até novembro.
Em 2025, a China foi responsável por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina. Até novembro, o país asiático absorveu 48% do total exportado e gerou 49,9% do faturamento do setor, o que representa aproximadamente US$ 8,08 bilhões, de acordo com os dados fornecidos pela Abiec.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, comentou que, de maneira geral, a decisão da China “não é algo tão preocupante”. Ele acredita que o Brasil pode se ajustar, uma vez que o volume de exportações está próximo da nova cota, além de buscar expandir novos mercados. Entre as perspectivas para o futuro, está a expectativa de aumentar as vendas ao Japão a partir de 2026.

