Tensões no Debate da Segurança Pública
Um novo capítulo nas relações entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o prefeito Eduardo Paes se desenvolve em meio a discussões sobre segurança pública. Na última terça-feira (04), Paes anunciou a formação da primeira turma de 600 agentes da Guarda Municipal, que iniciarão a patrulha pela cidade. No entanto, ainda não houve um diálogo entre os gestores sobre a atuação conjunta desses guardas com a Polícia Militar (PM).
Eduardo Paes tem expressado, em diversas entrevistas e eventos, seu desejo de dialogar com as autoridades estaduais de segurança para firmar um acordo que alinhe as ações das duas forças. O prefeito ressaltou que a responsabilidade pela segurança pública é do Governo do Estado, e não da Prefeitura.
“Desde há algum tempo, tenho solicitado uma audiência com o governador para que possamos trabalhar juntos. Entretanto, não consegui marcar esse encontro, mesmo após meses de pedidos”, afirmou Paes, em tom crítico. “A tarefa da segurança pública é do governador, não do prefeito. O que buscamos é auxiliar a Polícia Militar, permitindo que ela atue em áreas onde somente ela pode operar”, completou Paes, que é filiado ao PSD.
Reação do Governador Cláudio Castro
Em resposta às declarações do prefeito, enquanto realizava uma viagem pela Europa, Cláudio Castro (PL) divulgou uma nota manifestando sua surpresa com os comentários de Paes. É importante lembrar que a aliança de não agressão entre os dois políticos foi estabelecida tendo em vista que Paes pretende concorrer ao governo do estado nas próximas eleições, enquanto Castro tem planos de se candidatar ao Senado Federal.
Na nota oficial, o Governo do Estado destacou que as administrações estadual e municipal já colaboram em iniciativas de combate à violência, como a Operação Barricada Zero. Além disso, a nota criticou a criação de uma Guarda Municipal armada, enfatizando que “causa estranheza a formação de uma Força Municipal que pretende contribuir para a segurança pública sem um planejamento integrado com as forças estaduais”.
Essas declarações refletem um momento delicado na gestão de segurança pública do Rio de Janeiro, onde a falta de coordenação entre as esferas municipal e estadual pode comprometer a eficácia das ações de segurança. A expectativa é que um diálogo mais efetivo se estabeleça entre os governantes para garantir uma abordagem mais unificada no enfrentamento da criminalidade.

