A Polêmica Homenagem no Carnaval Carioca
O recente desfile da Acadêmicos de Niterói, que prestou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o carnaval do Rio de Janeiro, atraiu a atenção de diversos meios de comunicação internacionais nesta segunda-feira (16/2). O evento ocorreu na noite de domingo no sambódromo da Sapucaí, com a presença de Lula, que assistiu ao espetáculo de um dos camarotes. No entanto, o presidente não desfilou, em virtude de preocupações por parte do governo e do Partido dos Trabalhadores sobre possíveis violações das leis eleitorais, o que poderia resultar em punições para a sua candidatura à reeleição.
No jornal argentino Clarín, uma matéria intitulada “Lula, carnaval e polêmica” destacou que a homenagem da Acadêmicos de Niterói foi criticada pela oposição, que a considerou uma forma de propaganda eleitoral em um ano em que o presidente busca a reeleição. As críticas surgiram especialmente entre parlamentares bolsonaristas, que acusaram o evento de campanha antecipada e questionaram o uso de recursos públicos para financiar a escola de samba. O governo federal destinou R$ 1 milhão ao evento, valor que também foi repassado a outras doze agremiações do grupo especial do Rio.
A apresentação gerou controvérsias ao incluir imagens satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro em um telão durante os ensaios públicos. A oposição denunciou o desfile como um evento de campanha, exigindo cortes no financiamento público da escola de samba antes do início oficial das campanhas, marcado para agosto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade os pedidos feitos pela oposição para impedir a realização do desfile, mas o governo e o PT orientaram os apoiadores de Lula a evitarem ações que possam gerar problemas legais.
Impressões da Imprensa Internacional
A agência de notícias Associated Press ressaltou que Lula ganhou visibilidade com sua presença no Carnaval, mas também enfrenta desafios legais. A matéria lembrou que não é a primeira vez que o carnaval homenageia Lula; em 2003, por exemplo, a escola de samba Beija Flor homenageou o então presidente com um carro alegórico que retratava sua luta contra a fome. Em 2012, a Gaviões da Fiel também dedicou seu desfile ao presidente.
No entanto, essa é a primeira vez que uma homenagem desse tipo ocorre em um ano eleitoral, com a supervisão do Tribunal Superior Eleitoral. Apesar de o TSE ter rejeitado as denúncias da oposição, os juízes ressaltaram que podem reavaliar a situação caso ocorram violações da lei eleitoral durante o evento. Em alguns meses, a presidência do TSE será assumida pelo ministro Kássio Nunes, indicado por Jair Bolsonaro, que foi crítico do carnaval durante seu mandato e estará à frente durante as eleições presidenciais em outubro.
A Reuters também relatou que a homenagem se transformou em um desafio político para o presidente Lula. Durante o desfile, ele se emocionou ao saber que uma escola de samba homenagearia sua trajetória de operário a presidente, mas conforme a data se aproximava, a homenagem tornou-se uma “dor de cabeça” para a administração atual. Os ministros que compareceram ao desfile receberam orientações para se manterem discretos na plateia, evitando participar ativamente ou utilizar verbas públicas para deslocamento, além de não fazerem declarações ou publicações relacionadas ao evento nas redes sociais.
A agência France Press (AFP) destacou a presença de um robô metálico representando Lula no sambódromo, ressaltando que o desfile gerou críticas por homenagear um presidente em exercício durante um ano eleitoral. Embora o evento não tenha mencionado diretamente a eleição, as conotações políticas estavam evidentes. A música tema do desfile clamava “não à anistia”, um grito de guerra da esquerda contra os esforços para libertar Bolsonaro, que cumpre pena por conspiração para um golpe fracassado.

