Cinzas Transformadas em Homenagem Ecológica
Na próxima segunda-feira, a comunidade e os fãs dos Mamonas Assassinas se reúnem para uma emocionante cerimônia de exumação dos corpos dos cinco integrantes da banda, que fará 30 anos de sua tragédia. A iniciativa, divulgada pelas redes sociais do BioParque Cemitério e pela própria banda, visa celebrar a memória dos artistas de forma singular e simbólica. Segundo uma postagem na conta oficial, ‘Existem histórias que o tempo não apaga.’
A homenagem, que integra um projeto ambiental, utilizará as cinzas resultantes da cremação para adubar árvores que serão plantadas em um memorial a ser criado atrás dos túmulos dos músicos. A proposta estabelece uma profunda conexão entre a saudade e a continuidade da vida, simbolizando a presença eterna dos Mamonas através da natureza. ‘Cada árvore representa um laço de afeto e lembrança’, ressalta a publicação.
Grace Kelly Alves, irmã de Dinho (Alecsander Alves), esclareceu que a ação não resultará na extinção dos túmulos, os quais permanecerão abertos à visitação dos fãs. ‘Apenas uma pequena parte das cinzas será utilizada para nutrir as árvores’, comentou. O memorial contará com um espaço interativo, onde os admiradores poderão deixar mensagens e visualizar fotos dos artistas. ‘É uma forma de celebrar a vida deles e um bom lugar para os fãs se encontrarem’, explicou Grace em seus stories.
Um Memorial Interativo e Repleto de Memórias
O projeto do BioParque promete criar um memorial que será mais do que um simples espaço de lembrança. Cada árvore plantada terá um totem com um QR Code, permitindo que as pessoas acessem recordações em formato de texto, fotos e vídeos, reforçando a conexão entre os fãs e os músicos que marcaram uma geração.
Os Mamonas Assassinas, conhecidos por seu estilo irreverente e letras bem-humoradas que misturavam críticas sociais com bom humor, estavam em ascensão no cenário musical quando, em uma trágica noite de março de 1996, a banda e sua equipe perderam a vida em um acidente aéreo. O acidente ocorreu enquanto o Learjet 25D, que transportava os artistas e a equipe, tentava pousar no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Uma Tragédia que Parou o Brasil
A queda do avião, que resultou em 10 mortes, chocou o país. A comoção foi imensa, com cerca de 30 mil pessoas lotando o Ginásio Municipal Paschoal Thomeu para velar os corpos dos músicos e da equipe técnica. Durante o cortejo, mais de cem mil pessoas acompanharam o trajeto até o Cemitério Parque das Primaveras I, onde a despedida foi marcada por homenagens emocionadas e a presença de fãs que cantavam suas músicas.
Naquela noite fatídica, o avião colidiu com a Serra da Cantareira devido a falhas operacionais, incluindo a velocidade excessiva e uma curva incorreta durante a aproximação para pouso. A investigação destacou a fadiga da tripulação e a falta de comunicação como fatores cruciais para o acidente.
O Legado dos Mamonas Assassinas
Apesar da tragédia, o legado dos Mamonas Assassinas permanece vivo. O único álbum da banda, lançado em 1995, vendeu 1,8 milhão de cópias em apenas oito meses e continua a ser uma referência no cenário musical brasileiro. A agenda da banda estava repleta de compromissos, incluindo uma apresentação em Portugal, que foi interrompida de forma abrupta pelo acidente.
Os fãs, mesmo após tantos anos, guardam as memórias da banda com carinho. O projeto do memorial e a utilização das cinzas das vítimas para nutrir novas árvores é uma forma de perpetuar esse legado de forma simbólica e ecológica, representando a continuidade da vida e da arte que os Mamonas Assassinas proporcionaram a tantas pessoas.

