Hospitais Desmentem Parceria com Novo Nordisk
Dois hospitais citados pela farmacêutica Novo Nordisk como possíveis aliados em um programa piloto para disponibilização do medicamento Wegovy no Sistema Único de Saúde (SUS) negaram a existência de um acordo formal com a empresa. O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), localizado em Porto Alegre, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro, esclareceram que não há vínculo oficial estabelecido com a farmacêutica para essa iniciativa.
Recentemente, a Novo Nordisk havia anunciado o lançamento de um programa piloto no Brasil que visa aumentar o acesso ao Wegovy, um medicamento utilizado no tratamento da obesidade. Este projeto, com previsão de duração de dois anos, pretende reunir dados clínicos, econômicos e sociais sobre o uso da semaglutida, substância ativa do Wegovy, no sistema público de saúde.
Detalhes sobre a ausência de acordos
Em nota oficial, o Grupo Hospitalar Conceição deixou claro que não possui qualquer programa formal com a Novo Nordisk para o fornecimento de semaglutida. Por sua vez, o IEDE comentou que utiliza medicamentos da mesma classe em alguns casos específicos, mas ressaltou que a aquisição desses fármacos depende de processos administrativos padrão.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro acrescentou que está em curso um processo licitatório para a compra de semaglutida, gerido pela Fundação Saúde, que administra o instituto. Contudo, esse procedimento ainda não finalizou.
No SUS, medicamentos como a semaglutida não estão incorporados ao sistema. Em 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já havia recomendado a não inclusão de terapias que utilizam semaglutida ou liraglutida para o tratamento da obesidade, citando o alto custo como um dos principais impedimentos.
Novo Nordisk e o futuro das negociações
Em resposta às negativas dos hospitais, a Novo Nordisk afirmou que as conversas continuam em andamento para implementar um programa piloto global de “Acesso Equitativo”, que visa a geração de evidências que sustentem políticas públicas voltadas ao tratamento da obesidade.
De acordo com a farmacêutica, o projeto prevê a capacitação de profissionais da saúde e uma análise do impacto clínico e socioeconômico do cuidado multidisciplinar da obesidade. Entretanto, a empresa destacou que não há previsão para doações de medicamentos ao sistema público.
A Novo Nordisk enfatizou que qualquer fornecimento do produto por instituições públicas estará condicionado a processos licitatórios que seguem as diretrizes de compras governamentais.

