Um Ano de Recuperação Surpreendente
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apresentou um crescimento impressionante de 33% em 2025, encerrando o ano no caminho de atingir a maior valorização desde 2016, quando subiu 38,9%. Essa recuperação, mesmo diante de um cenário de juros altos, com a Selic finalizando o ano em 15% ao ano, reflete uma série de fatores que impulsionaram a confiança dos investidores, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Ao longo deste ano, o índice acumulou 32 recordes de fechamento, o que representa o maior número desde 2019, quando alcançou 40 recordes durante um período de valorização acentuada do mercado. Especialistas ouvidos pelo g1 atribuem esse desempenho positivo a diversos elementos que moldaram o ambiente econômico.
Fatores que Impulsionaram o Desempenho do Ibovespa
Entre os principais fatores que contribuíram para a ascensão do Ibovespa em 2025, destacam-se:
- Cortes de juros nos Estados Unidos, com expectativas de novas reduções no próximo ano, que incentivaram a entrada de capital no Brasil;
- Realocação de investimentos devido a incertezas sobre as contas públicas e a política econômica do presidente Donald Trump, favorecendo ativos brasileiros;
- Expectativa de cortes de juros também no Brasil, com o mercado já projetando um cenário favorável para 2026;
- Resiliência do Brasil diante das tensões comerciais com os EUA, diminuindo o impacto sobre empresas exportadoras;
- Ações de empresas brasileiras ainda sendo negociadas abaixo dos níveis pré-pandemia, atraindo novos investidores;
- Projeções de mudanças no cenário político, especialmente em relação à condução das contas públicas com as eleições de 2026 se aproximando.
Influência do Cenário Internacional
A dinâmica do mercado internacional teve um papel crucial na valorização do Ibovespa. A mudança na política monetária do Federal Reserve (Fed) dos EUA, que cortou as taxas de juros em três ocasiões ao longo de 2025, contribuiu significativamente para esse cenário. A taxa foi reduzida de uma faixa de 4,25% a 4,50% para 3,50% a 3,75% ao ano – os menores níveis desde setembro de 2022.
Conforme detalha Lauro Sawamura Kubo, gestor de fundos de investimento da Patagônia Capital, a incerteza em relação às contas públicas dos EUA e a paralisação do governo (shutdown) mais longa da história ampliaram a desconfiança entre investidores, levando-os a buscar mercados como o brasileiro, que apresenta retornos mais atrativos.
Atração de Investimentos em Ações
Analistas apontam que as ações de empresas brasileiras mostraram-se como oportunidades valiosas, sendo negociadas a preços considerados baixos. Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, observa que o pessimismo anterior foi superado e as empresas brasileiras começaram a ser vistas como boas opções de investimento.
A bolsa brasileira, portanto, passou a ser vista como uma alternativa acessível e com potencial de retorno elevado, especialmente em um contexto onde os mercados externos oferecem ganhos mais modestos.
Expectativas para 2026 e a Questão Fiscal
Apesar do desempenho robusto do Ibovespa em 2025, a taxa de juros brasileira continua elevada, e a preocupação com as contas públicas ainda permanece em segundo plano no radar dos investidores. Para 2026, analistas preveem uma possibilidade de cortes na Selic para 12,25% ao ano, o que poderia, mais uma vez, atrair investimentos para a bolsa.
Entretanto, a volatilidade política prevista para o ano, com as eleições se aproximando, pode trazer incertezas ao mercado. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ressalta que a polarização política pode gerar flutuações adicionais no mercado, complicando previsões e tornando o ambiente mais desafiador.
Embora a expectativa seja de que o Ibovespa possa alcançar 200 mil pontos em 2026, o cenário é repleto de variáveis. Marcos Praça destaca a complexidade do contexto e sugere que o índice pode oscillate entre 170 mil e 200 mil pontos. Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta, conclui que o comportamento do índice está intimamente ligado à interação entre fatores econômicos, políticos e a percepção de risco ao longo do tempo.

