Como tensões no Irã podem influenciar o mercado de petróleo e a inflação mundial
As tensões crescentes envolvendo o Irã, que possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo, já refletem significativas oscilações nos preços globais do petróleo. Desde que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas ameaças ao regime iraniano, os preços do barril do tipo brent registraram uma alta de cerca de 20% desde o início do ano, alcançando o valor de US$ 75,87 recentemente.
O Irã, embora produzindo menos do que seu potencial máximo, detém uma posição geográfica estratégica essencial para a exportação de petróleo e gás natural. Estima-se que entre 20% e 25% do petróleo consumido mundialmente passa pelo Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar da Arábia. O controle que o Irã exerce sobre a margem norte deste estreito lhe confere a capacidade técnica de bloquear a navegação, o que poderia impactar drasticamente a oferta global de energia.
Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais na ESPM, ressalta que o verdadeiro poder na disputa não está nas mãos dos Estados Unidos, mas sim do Irã. Ele afirma: “Quem tem as cartas na mão não são os EUA, quem tem as cartas na mão é o Irã, por um motivo muito simples: o Estreito de Ormuz”. Ele destaca que a expectativa de escassez de petróleo impulsiona os preços, gerando um clima de incerteza, especialmente para a economia norte-americana.
Especialistas em economia apontam que um aumento nos preços do petróleo pode ter um efeito dominó, pressionando os índices de inflação global. No entanto, a intensidade desse impacto está diretamente relacionada à duração do conflito. O economista André Perfeito adverte que a continuidade da tensão pode levar a uma escalada do conflito, envolvendo outros países como China e Rússia, que têm interesses na região.
Perfeito diz: “Um exemplo muito claro: se o Irã fechar o Estreito de Ormuz, a atividade econômica cai — e quem pode sofrer muito com isso é a própria China, que importa grandes volumes de petróleo. Portanto, existe o risco de uma escalada da tensão que pode generalizar o conflito”.
A análise de Igor Lucena, especialista em relações internacionais, traz à tona as consequências econômicas da instabilidade provocada pelos ataques no Irã. Ele afirma que essa instabilidade gera alta volatilidade nos mercados, levando à redução de investimentos e ao receio de investidores, desde grandes corporações até médias e pequenas empresas.
Lucena complementa: “O que ocorre é que as bolsas de valores tendem a cair, os títulos de dívidas de países se valorizam, e moedas como euro e dólar se fortalecem, colocando toda a economia em um estado de espera até que se tenha uma definição sobre a situação política do Irã”.

