Conflitos e Consequências Econômicas
A análise das consequências econômicas dos conflitos no Oriente Médio, particularmente entre os Estados Unidos, Israel e Irã, começa por uma questão crucial: por quanto tempo essa guerra deverá se arrastar. A duração do conflito pode ter um impacto significativo na economia global, especialmente em relação aos preços do petróleo.
“A primeira questão a ser considerada refere-se ao custo do petróleo. Há previsões indicando que o preço pode ultrapassar os US$ 100 por barril, mas isso dependerá da duração deste embate”, explica Lia Valls Pereira, professora de relações internacionais da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e membro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
A incerteza sobre a estratégia dos Estados Unidos em relação ao Irã é um fator que agrava essa situação. “A retirada dos aiatolás não é o único desafio. A Guarda Revolucionária do Irã também representa um obstáculo. O presidente Donald Trump afirma que só interromperá as ações quando atingir seus objetivos, mas esses objetivos permanecem obscuros”, observa Pereira.
Conforme os ataques se prolongam, os impactos econômicos tendem a se expandir além dos preços do petróleo. Welber Barral, consultor de comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior, ressalta que “pode haver uma repercussão muito negativa sobre o comércio global, devido ao aumento de custos relacionados ao petróleo, além de seguros e fretes”.
O Papel do Irã e o Cotidiano Internacional
Apesar de possuir a quarta maior reserva provada de petróleo do mundo, o Irã hoje não representa uma parcela significativa no mercado global de óleo bruto, em razão das sanções que lhe foram impostas ao longo dos anos. Conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE), a produção iraniana foi de apenas 3,45 milhões de barris por dia em janeiro, correspondente a menos de 3% da demanda global.
Entretanto, o Irã se destaca como um fornecedor importante para a China, a segunda maior economia do planeta, que poderá enfrentar dificuldades em seu suprimento energético. Além disso, o foco das nações se volta para a segurança do Estreito de Ormuz, uma passagem vital que, sob controle parcial iraniano, é crucial para a movimentação de navios. Se o tráfego na região for interrompido, as consequências podem ser sentidas em todo o mundo em relação a fretes e seguros.
Aproximadamente 20% da produção global de petróleo transita pelo Estreito de Ormuz, que é essencial para as exportações de países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, principalmente para mercados asiáticos e europeus. Recentemente, o brigadeiro-general Ebrahim Jabbari reforçou essa preocupação ao declarar que qualquer embarcação que tentar atravessar o Estreito será atacada.
Setor de Transporte e Commodities em Risco
O setor de transporte é um dos que mais sofrerá com o aumento dos preços do petróleo. Barral enfatiza que “nações que dependem fortemente da exportação de produtos agrícolas e commodities, como o Brasil, sentirão os efeitos adversos devido à diminuição das margens de lucro”.
O aumento dos custos, que pode se estender por um período considerável, traz uma série de incertezas para a economia global. Esse conflito ocorre em meio a preocupações sobre a desaceleração do crédito privado e os possíveis impactos da inteligência artificial nas operações das grandes corporações.

