Medidas Urgentes em Prol da Segurança dos Passageiros
A Prefeitura do Rio de Janeiro tomou a decisão de interditar a garagem das viações Real e Vila Isabel, resultando em uma série de mudanças no transporte público da cidade. A informação foi confirmada pela secretária municipal de Transportes, Celidônio, que revelou que aproximadamente 99% da frota não havia passado por vistorias adequadas. A manutenção das condições de segurança dos ônibus e da garagem foi considerada alarmante, colocando em risco a segurança dos usuários do serviço. “Não tem condição de operar”, afirmou.
O prefeito Eduardo Paes (PSD) não hesitou em criticar as empresas, destacando que a situação enfrenta um desrespeito claro das concessionárias para com a população. “No dia de ontem, apenas 20 ônibus estavam em operação de uma totalidade de 200”, revelou. “Foram oferecidos todos os prazos possíveis para regularização, mas eles nem sequer realizaram as vistorias, algo que deveria ser simples de se fazer. O estado da garagem é alarmante, parece um verdadeiro cemitério de ônibus”.
Reestruturação do Serviço de Transporte Público
Em resposta à crise, o consórcio de transporte assumirá 60% das linhas das viações a partir de amanhã, prometendo um serviço muito superior ao que era prestado anteriormente. “A partir deste momento, não haverá prejuízos para a população, mas sim melhorias na qualidade do transporte”, garantiu Paes. O consórcio demonstrou interesse em substituir toda a frota, mas a Mobi-Rio, empresa ligada à prefeitura, já está preparada para assumir caso as viações não cumpram com suas obrigações.
Os passageiros, especialmente aqueles que dependem do transporte para se deslocar entre bairros da Zona Norte e Zona Sul, têm enfrentado dificuldades com a escassez de linhas. Na manhã de sexta-feira (30), uma equipe do programa Bom Dia Rio encontrou uma longa fila de pessoas esperando por ônibus na Leopoldina, alguns por mais de uma hora.
A Nova Linha e Seus Desafios
Uma das linhas que mais tem faltado no trajeto é a 460, que conecta São Cristóvão ao Leblon. Em 26 de setembro, a Prefeitura do Rio lançou a nova Linha 475 (Metrô São Cristóvão – Leblon) na tentativa de suprir a demanda, mas a má notícia é que essa nova linha não atende o ponto da Leopoldina. Os ônibus partem de São Cristóvão e acessam o Túnel Rebouças pela Praça da Bandeira, o que deixa passageiros que utilizam a Avenida Francisco Bicalho sem opções.
Além disso, os ônibus que saem do Terminal Gentileza em direção à Zona Sul estão lotados e não param na Leopoldina, exacerbando a situação. Na mesma manhã, Mônica, uma passageira que depende da Linha 463 (São Cristóvão – Copacabana), relatou que esperou mais de 1 hora e 20 minutos por um ônibus e acabou desistindo, optando por um aplicativo de transporte. “Todo dia é essa correria. Me sinto humilhada, porque acham que andamos de graça. Nós pagamos para andar. Merecíamos mais respeito”, desabafou.
Opiniões de Especialistas e Impactos no Setor
Licínio Machado Rogério, presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio (FAM-RIO) e membro do Conselho Municipal de Transporte, comentou sobre as novas linhas. Segundo ele, essas medidas visam atender à crescente demanda dos passageiros e mitigar a crise nas viações Real e Vila Isabel, mas alerta que a participação popular é fundamental. “Embora a prefeitura esteja tentando resolver o problema, a consulta aos passageiros é essencial. Além disso, a comunicação sobre as novas linhas precisa ser mais eficaz, pois as pessoas não sabem quais linhas podem contar”, enfatizou.
A TV Globo recebeu relatos sobre demissões de motoristas das empresas Real e Vila Isabel. Um funcionário que preferiu não se identificar expressou sua indignação com a situação: “É uma covardia o que a empresa fez com a gente. Trabalhamos o mês todo e nosso vale-alimentação está atrasado há dois meses. Esperaram até o fim do mês para nos dispensar sem pagar nosso salário. Estamos passando necessidade dentro de casa”, declarou.
Posicionamento da Secretaria de Transportes
A Secretaria Municipal de Transportes do Rio reforçou que todos os quatro consórcios foram notificados sobre a necessidade de realizar as vistorias nos ônibus dentro do prazo estabelecido. A secretaria está implementando ajustes no sistema, incluindo a criação de novas linhas como 162 (Terminal Gentileza – Leblon) e 319 (Terminal Alvorada – Central do Brasil), além de revisar itinerários de linhas existentes. Segundo a SMTR, “nossa relação institucional é com os consórcios, e não com as empresas individuais. Cada consórcio é responsável por uma região da cidade e por todas as linhas que circulam dentro dela, independentemente da situação das empresas consorciadas”.
A SMTR continua sua missão de aprimorar o atendimento ao público, ajustando o sistema de transporte e criando novas opções de linhas para melhor atender às necessidades dos cidadãos cariocas.

