Justiça em Nome de Thiago
Na manhã desta terça-feira (27), um grupo de manifestantes se reuniu em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para exigir justiça pela morte de Thiago Menezes Flausino, um adolescente de 13 anos, assassinado em 2023 na Cidade de Deus. Neste caso, os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria estão prestes a enfrentar um júri popular, acusados de homicídio e fraude processual.
A mãe de Thiago, Priscila Menezes Gomes de Souza, fez questão de destacar o sonho do filho de se tornar um jogador de futebol profissional. Emocionada, ela ressaltou o pedido por justiça: “Nada que a gente faça vai trazer o Thiago, um adolescente, um menino que tinha o sonho de ser jogador de futebol, que tinha uma frequência escolar de 90,95%. Eles vêm o tempo todo marginalizando o Thiago. É como se o Thiago tivesse cometido um crime naquela noite. Mas quem cometeu o crime foram eles, e é por isso que eles vão sentar no banco dos réus. Eles têm que ser responsabilizados pela covardia que cometeram com meu filho. Três tiros de fuzil. Se eles achavam que era suspeito, tinham que ter abordado.”
Admissão dos PMs e Consequências Legais
Os policiais envolvidos admitiram em depoimento que dispararam contra Thiago, e agora também respondem por fraude processual, uma vez que tentaram plantar uma arma na cena do crime para justificar que houve um confronto. Inicialmente, quatro policiais foram identificados e presos por sua participação na morte do adolescente. No entanto, em junho de 2025, o Tribunal de Justiça decidiu libertar dois deles, por considerar que não estavam diretamente envolvidos no homicídio.
A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, comentou sobre a gravidade do caso. Segundo ela, a morte de Thiago representa uma série de falhas e violações de direitos humanos: “Grave violação de direitos humanos, onde tudo que foi feito foi errado. Foi errado matar uma criança, foi errado o estado do Rio de Janeiro achar que a sociedade vai aceitar a polícia suspeitar, julgar e matar, de forma instantânea, um menino de 13 anos. Tudo errado.”
O Crime que Chocou a Comunidade
Thiago foi assassinado enquanto andava na garupa de uma motocicleta na principal via de acesso à Cidade de Deus. Ele recebeu três disparos de arma de fogo e, de acordo com informações, não portava arma e não havia qualquer confronto no momento em que foi baleado. O caso gerou grande repercussão e reflete as tensões existentes entre a comunidade e as forças de segurança no Rio de Janeiro, onde a violência e a desconfiança abundam.

