Keeta e suas dificuldades no Rio de Janeiro
No último dia 4, a Keeta, uma empresa de entrega de alimentos, realizou uma demissão em massa no Rio de Janeiro, após adiar indefinidamente o início de suas operações na metrópole. A decisão foi confirmada pela própria empresa e relatada a IstoÉ Dinheiro por um funcionário demitido. Segundo a fonte, que preferiu não se identificar, cerca de 200 pessoas foram convocadas para comparecer a dois hotéis, um no centro e outro na zona sul da cidade, onde foram informadas sobre os desligamentos.
O anúncio do adiamento das operações, divulgado na semana anterior, trouxe apreensão aos colaboradores, que já esperavam cortes. As demissões foram comunicadas em salas lotadas, onde representantes do departamento de recursos humanos falaram sobre a rescisão coletiva. Embora a Keeta tenha confirmado os desligamentos, não divulgou o número exato de funcionários afetados.
Motivos do adiamento e demissões
A empresa justificou sua decisão afirmando que o adiamento visa melhorar os padrões de serviço no mercado de delivery, incluindo a resolução de questões estruturais que prejudicam a concorrência. Em nota, a Keeta assegurou que manterá os 1.200 postos de trabalho atualmente existentes, destacando o compromisso com suas operações no Brasil. A companhia também enfatizou que o processo de demissão foi conduzido em conformidade com as leis locais, oferecendo pacotes de indenização aos ex-funcionários como apoio na transição profissional.
No entanto, um dos demitidos expressou descontentamento com as condições de trabalho na Keeta. Segundo ele, as demissões focaram na equipe comercial, que atuava na atração de restaurantes para a plataforma. A equipe enfrentava longas jornadas sem controle de ponto, além de não dispor de materiais corporativos adequados e trabalhar em condições de risco ao visitar comunidades.
Desafios adicionais para a Keeta
O relato da fonte revela que a Keeta encontra outros obstáculos para a implementação de suas operações no Rio, além dos contratos de exclusividade. A violência e a presença do crime organizado em diversas áreas da cidade também representam um desafio significativo. Diante desse cenário, a empresa optou por manter cerca de 30 colaboradores do departamento comercial para focar o lançamento em regiões mais nobres da zona sul carioca nos próximos meses.
Nota oficial da Keeta
Em nota completa, a Keeta detalhou sua decisão de adiar o lançamento no Rio de Janeiro, reiterando a intenção de aprimorar os serviços para consumidores, restaurantes e entregadores parceiros. A empresa afirmou que pretende resolver as limitações estruturais que impactam a concorrência no setor de delivery antes de expandir suas operações. Para isso, cortou postos na equipe carioca.
A companhia reafirmou que continuará investindo no Brasil, com um aporte de R$ 5,6 bilhões nos próximos cinco anos, e se comprometeu a agir em colaboração com restaurantes, autoridades locais e parceiros para promover um mercado de delivery mais aberto e competitivo. O objetivo é incentivar a inovação e garantir um ambiente de competição justa, beneficiando todos os envolvidos no setor.

