Retorno marcante no Rio de Janeiro
Na noite da última sexta-feira (12/6), o Kid Abelha reacendeu a chama da música pop e rock brasileiro na Farmasi Arena, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Após um hiato de 13 anos longe dos palcos, a banda iniciou sua nova turnê “Eu tive um sonho” com um espetáculo que reuniu diferentes gerações, evidenciando como seu repertório mantém-se relevante e cativante mesmo após quatro décadas.
O público, formado por pais, filhos, avós e casais LGBTQIAPN+, foi a prova viva da abrangência cultural e afetiva que o Kid Abelha construiu ao longo da carreira. Sob a direção de arte do renomado Gringo Cardia, o show ganhou vida com uma paleta de cores vibrantes que acompanhava cada era musical do trio, composto por Paula Toller (vocal e composição), Bruno Fortunato (guitarra) e George Israel (saxofone, vocais, violão e bandolim).
Uma viagem pelos clássicos e novas sonoridades
A banda de apoio, composta por Gustavo Camardella (guitarra, violão e vocais), Adal Fonseca (bateria), Pedro Dias (baixo) e Gê Fonseca (teclados), manteve a base clássica das músicas, preservando a essência das composições sem grandes experimentações.
Paula Toller abriu a noite com “Lágrimas e chuva” (1985), um dos primeiros sucessos que deu o tom da viagem musical que se seguiria. Telões ilustrados com referências à arte pop de Roy Lichtenstein criaram um cenário que envolveu o público desde o começo. Logo após, a banda apresentou “Nada tanto assim” (1984), composição de Bruno Fortunato e Leoni, integrante da primeira formação da banda.
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Seguiram-se hits consagrados da década de 1980 como “No meio da rua” (1987), do álbum “Tomate”, quando o grupo ainda usava o nome “Kid Abelha e os abóboras selvagens”, e “Educação sentimental II” (1985), com a interpretação emocionante de Toller. O palco então se transformou para uma atmosfera psicodélica, com imagens de cogumelos, relógios e onças, preparando o público para “Na rua, na chuva, na fazenda” (1975), balada eternizada na voz da vocalista em 1996.
Variedade e intimidade no repertório
Com a troca para um figurino dourado, Toller conduziu um set que misturou clássicos e canções do século XXI, atraindo outra geração de fãs. “Alice” (1984) trouxe energia à noite, enquanto “Amanhã” (1987) trouxe um momento de introspecção, com destaque para o solo de guitarra de Fortunato.
O público também pôde apreciar “Nada por mim”, que ganhou um arranjo em ritmo de bossa nova, e “Deus (apareça na televisão)” (1993), em clima mais acústico com Toller sentada, acompanhada por George Israel e Fortunato. Canções do início dos anos 2000, como “Eu contra a noite” (2001) e “No seu lugar” (1991), também compuseram o repertório, com mensagens nos telões que ironizavam rótulos atribuídos à banda ao longo dos anos.
Homenagens e encerramento vibrante
Em um momento mais afetivo, a banda prestou homenagem a Carlos Beni Carvalho de Oliveira Borja, conhecido como Beni Borja, fundador e primeiro baterista do Kid Abelha, com a canção “Maio”. A turnê também trouxe “Eu tive um sonho” (1993) e “Como é que eu vou embora” (1996), músicas que uniram banda e público em um canto coletivo.
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O encerramento foi marcado por uma sequência animada: “Fixação” (1984) abriu o bloco final, seguido pelo bis com “Como eu quero” (1995), “Os outros” (1985), “Fórmula do amor” (1985) e “Por que não eu?” (1985). O show terminou com o público cantando em uníssono “Pintura íntima” (1983), selando uma noite que reforçou a vitalidade e a conexão do Kid Abelha com seus fãs.
Próximos passos da turnê
A turnê “Eu tive um sonho” segue agora para São Paulo, com apresentação marcada para 27 de junho no Allianz Parque, e depois para Salvador, em 11 de julho, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova. Outras cidades como Brasília, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis também receberão a banda.
Antes de se despedir, Paula Toller anunciou que o trio planeja voltar ao Rio de Janeiro em janeiro, deixando os fãs na expectativa por mais um encontro que promete reforçar ainda mais o legado da banda na cena cultural brasileira.

