Uma Nova Perspectiva sobre a Língua
Com o lançamento de seu novo álbum, marcado para o dia 6 de março, Lucas Santtana tem se dedicado a lançar singles que trazem à tona sua relação com a língua portuguesa. A mais recente faixa, “Que seja um reggae”, apresenta uma colaboração significativa com d’Os Paralamas do Sucesso. Essa parceria é uma continuidade de uma história que começou com a releitura da música “Mensagem de amor” em 2000, a qual se tornou um de seus maiores sucessos.
“Lembro que, além do sucesso com ‘Mensagem’, um dos meus primeiros shows solo ocorreu em 1998, e foi através do produtor Chico Neves que consegui a participação dos Paralamas. Eles foram uma influência crucial na minha formação musical”, relembra Santtana, que posteriormente gravou a música “Músico”, de Tom Zé, seu primo, consagrada por Herbert, Bi e Barone no álbum “Severino”, de 1994. Para ele, os Paralamas redefiniram o rock no Brasil na década de 80, trazendo uma sonoridade que mesclava diferentes ritmos e influências.
A Jornada Musical e Cultural
Filho do renomado produtor Roberto Sant’Ana, Lucas começou sua trajetória na música ao lado de Gilberto Gil, tocando flauta em álbuns icônicos como “Tropicália 2” (1993) e “Unplugged MTV” (1994). Sua mais recente colaboração com Gil, na música “História da nossa língua”, representa um marco em sua carreira, simbolizando um “fechamento de ciclo”. Santtana expressa a emoção de ter seu ídolo musical participando de uma composição que explora a história da língua brasileira, que abrange desde suas origens no latim vulgar até as influências das línguas indígenas e africanas.
“Imagine encontrar o cara que inspirou sua adolescência, que moldou suas bases culturais, e agora você está no palco com ele, quase 30 anos depois. Isso realmente foi surpreendente para mim”, compartilha Lucas, admirando o fato de Gil ter aceitado participar da canção, uma vez que ele é uma figura tão respeitada na Academia Brasileira de Letras. “Quando aceitei a ideia, não acreditei. Foi uma explosão de felicidade.”
Um Disco com Participações Especiais
O projeto “Brasiliano” coincide com a comemoração dos 25 anos do álbum de estreia de Lucas, “Eletro Ben Dodô” (2000). Ele remasterizou o disco, trabalhando novamente com Chico Neves, e ajustou as letras para refletir sua visão atual, preservando a essência que ele mesmo ajudou a criar. “Apesar das mudanças, encontrei uma sonoridade que sempre busquei desde o início da carreira”, destaca.
Lucas planejou “Brasiliano” como um álbum repleto de colaborações de diversos artistas que influenciaram sua trajetória. “Inicialmente, não sabia que seria tão trabalhoso. O disco acabou com 11 faixas e 12 participações, e o processo de gravação levou meses”, conta ele. Entre os colaboradores estão nomes como Chico César, Rachel Reis, Dimartino, Piers Faccini e Karyna Gomes, refletindo a diversidade de sua proposta musical.
A Vida na França e a Reflexão sobre a Língua
Recentemente, Lucas tem vivido em Montpellier, na França, onde lançou seus álbuns por uma gravadora local desde 2014. Sua carreira internacional começou em 2009, com o álbum “Sem nostalgia”, e se expandiu após a pandemia e a instabilidade política no Brasil. “A pandemia me fez repensar minha vida e o futuro dos meus filhos, que podem aprender uma nova língua, e isso se tornou um capítulo importante para todos nós”, reflete.
A Inspiração e o Amor pela Língua Portuguesa
Durante um passeio no parque com seu filho Dom, Lucas teve a ideia de criar um disco que celebrasse a língua. “A língua é uma das coisas mais políticas que existem”, afirma. O carinho dos franceses pela cultura e pela língua brasileira foi um fator motivador. “Com o tempo, comecei a me perguntar: ‘Será que realmente falo português?’ Isso me levou a comprar livros de linguística e a redescobrir um amor pela minha língua que não sentia antes”, revela.
Ele conclui: “A música, o cinema, a culinária e a cultura brasileiras são incríveis, mas a língua é o que realmente nos une”. Lucas Santtana acredita que, atualmente, ser brasileiro é mais valorizado do que nunca no mundo, e sua nova obra reflete essa conexão renovada com a língua e a cultura.

