Reunião Estratégica em Território Brasileiro
A recente reunião realizada no Rio de Janeiro carrega um peso político significativo para o Palácio do Planalto. Neste encontro, o presidente Lula pretende garantir o que ele chama de “foto da vitória”, simbolizando um entendimento que vem sendo negociado há mais de duas décadas. Essa reunião é vista como uma síntese do esforço para destravar um acordo que, por anos, enfrentou diversas dificuldades nas tratativas entre Mercosul e União Europeia.
De acordo com a avaliação de assessores do presidente, essa agenda no Rio representa não apenas um marco nas negociações, como também reforça a posição do Brasil como o principal mediador neste processo. Lula está determinado a garantir uma imagem forte ao lado dos líderes europeus antes da assinatura, o que pode consolidar seu crédito político sem o risco de tensões que normalmente ocorrem em encontros de alto nível, como o que será realizado na capital paraguaia, Assunção.
Avisos e Expectativas para o Acordo
Ao receber Ursula von der Leyen e António Costa, principais representantes da União Europeia, Lula se posiciona no centro das negociações finais. Além disso, ele evita ir a Assunção, onde será representado pelo chanceler Mauro Vieira. Essa estratégia foi adotada em resposta ao pedido do Paraguai para que o evento fosse de alto nível, mas Lula, conforme informado por fontes próximas, optou por se concentrar na reunião carioca.
Até o momento, não há confirmação oficial de quais presidentes do Mercosul estarão presentes na cerimônia de assinatura. Contudo, há expectativas de que Javier Milei, presidente da Argentina e crítico de Lula, compareça ao evento. Assistentes do governo brasileiro afirmam que a visita de líderes europeus ao Brasil não foi um evento improvisado, mas um passo planejado em um roteiro acordado anteriormente entre os governos, que começou a ser moldado na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, no final do último ano.
Destravando Impasses nas Negociações
No passado, as discussões sobre o acordo enfrentaram incertezas, especialmente devido à resistência interna na União Europeia, vinculado principalmente ao setor agrícola. Um telefonema entre Lula e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, foi fundamental para dissipar dúvidas. Durante a conversa, Meloni indicou a necessidade de mais tempo para lidar com assuntos internos relacionados ao orçamento agrícola na Europa, que estavam complicando as negociações.
O relato de Lula sobre essa conversa revela que Roma não teria condições de avançar antes do dia 20 de dezembro, o que, por sua vez, adiou a decisão para as primeiras semanas de janeiro. Essa sinalização positiva da parte europeia abriu caminho para o encerramento deste ciclo de negociações e a futura assinatura do acordo.
Articulação e Conclusões
A diplomacia brasileira já havia alinhado com o Paraguai que, uma vez superada a fase de negociações com a Europa, a próxima etapa natural seria a realização de uma reunião ministerial para formalizar a assinatura do acordo. A formalização, para a União Europeia, cabe ao comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, enquanto para o Mercosul, a responsabilidade é dos chanceleres.
Surpreendentemente, o governo paraguaio decidiu elevar a reunião ao nível presidencial. Após a confirmação da posição de Bruxelas, von der Leyen e Costa entraram em contato com Brasília para discutir a logística da viagem à América do Sul. A ideia inicial era realizar o encontro em Assunção, mas surgiu a possibilidade de uma parada no Brasil. Assim, o Planalto facilitou o encontro no Rio de Janeiro, dado que Lula já tinha compromissos na cidade.
Perspectivas Futuras e Processo de Aprovação
Após o encontro no Rio, uma breve declaração à imprensa está marcada para ocorrer, seguida pela viagem dos líderes europeus a Assunção, onde a formalização do acordo ocorrerá com os ministros do Mercosul e da União Europeia. Lula havia tentado concentrar o protagonismo da assinatura do acordo na cúpula em Foz do Iguaçu, mas a aprovação final pelo Conselho Europeu aconteceu dias depois, alterando o calendário previsto e deslocando a assinatura oficial para um período em que a presidência do Mercosul já havia passado ao Paraguai.
O tratado deverá entrar em vigor em etapas, sendo que a parte comercial dependerá apenas da aprovação do Parlamento Europeu, enquanto no Mercosul, a vigência ocorrerá conforme os parlamentos nacionais ratificarem o texto. O aspecto político do acordo, que envolve temas como democracia e cooperação, deve ser avaliado pelos legislativos dos 27 países da União Europeia. Em síntese, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com a redução de tarifas sobre bens e serviços, além de estabelecer regras comuns em áreas cruciais.

