Cenário Político e Articulações no PT
O Palácio do Planalto continua a pressionar pela candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo de Minas Gerais, à medida que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproxima. Pacheco, que deve deixar o PSD para se filiar ao União Brasil nas próximas semanas, mantém-se em diálogo com o presidente, embora ainda não tenha decidido se irá concorrer ao executivo estadual. Este cenário de incerteza levou integrantes do PT a considerarem outras opções, que vão desde nomes de destaque do próprio partido a figuras menos convencionais no cenário político mineiro.
Nesta quinta-feira, Lula reafirmou seu apoio a Pacheco durante uma entrevista ao UOL. Em resposta a questionamentos sobre as definições da chapa eleitoral, o presidente afirmou: “Se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas.”
Movimentações Partidárias e Desafios
Enquanto isso, Pacheco planeja sua saída do PSD e a entrada no União Brasil, motivado por articulações de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. A expectativa é que essa mudança não apenas fortaleça a bancada do União no Congresso, mas também posicione Pacheco como um candidato viável ao governo. Em adição, o comando do diretório do União em Minas deve ser entregue ao deputado Rodrigo de Castro, um aliado de Pacheco, nas próximas semanas.
As articulações também são uma resposta à situação crítica em que a permanência do senador no PSD se tornou “insustentável”, especialmente após a filiação do vice-governador Mateus Simões (PSD), que almeja suceder o governador Romeu Zema (Novo). Este, por sua vez, se apresenta como pré-candidato à Presidência, colocando-se como adversário direto de Lula. Fontes ligadas ao União afirmam que Pacheco poderá continuar alinhado com os interesses do petista, dando-lhe tempo para decidir sua candidatura neste pleito.
Planos Alternativos em Debate
Com a indefinição acerca da candidatura de Pacheco, membros do PT começaram a discutir um plano B, que inclui o apoio a Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte. Carlos Lupi, presidente do PDT, confirmou a aliança em uma publicação nas redes sociais após um encontro com Edinho Silva, dirigente do PT. Lupi destacou a importância de garantir apoio às candidaturas de Kalil em Minas, além de Juliana Brizola no Rio Grande do Sul e Requião Filho no Paraná.
Entretanto, o PT rapidamente emitiu uma nota esclarecendo que a reunião foi voltada para “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula” e que não definiu os palanques eleitorais estaduais. A nota enfatizou que as deliberações sobre as candidaturas ainda estão em pauta e serão feitas em consonância com os diretórios estaduais. Essa situação gerou reações, incluindo críticas de Kalil, que expressou sua insatisfação no X, reafirmando que “no meu palanque só sobe quem eu quiser”.
Novos Nomes em Discussão
Além de Kalil, outros nomes estão sendo cogitados, como as prefeitas Marília Campos (PT), de Contagem, e Margarida Salomão (PT), de Juiz de Fora. Marília manifestou o desejo de concorrer ao Senado, contanto que seja a única representante de Lula na disputa. Em contrapartida, Margarida reiterou sua intenção de completar seu mandato à frente da prefeitura.
Outras possibilidades incluem Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, além de Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais. O Partido Verde, que integra uma federação com o PT, também está avaliando a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda.
O deputado estadual e ex-presidente do diretório petista em Minas, Cristiano Silveira, comentou sobre a abundância de opções: “Eu creio que saímos de uma condição de não ter muitas opções para uma situação que agora começam a surgir boas opções. Qualquer que seja a escolha, acho que estaremos bem representados.”

