Mudanças Estrutural no MDB
Os diretórios do MDB em diferentes regiões do Brasil, especificamente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, estão se reposicionando politicamente. O deputado federal Carlos Chiodini, que ocupa a presidência do MDB em Santa Catarina e é vice-presidente nacional do partido, destacou a importância da autonomia regional. Ele afirmou: “O Brasil é muito grande, cada estado tem as suas particularidades”. Chiodini enfatiza que o objetivo é respeitar as diferenças e lutar pelos interesses locais.
Ainda que a neutralidade do MDB não tenha sido oficialmente declarada, sua aceitação já é amplamente considerada entre os membros do partido. Segundo informações de filiados, essa mudança de postura representa a maioria dos líderes, abrangendo mais de 70% dos membros do MDB. Nos cinco maiores colégios eleitorais, apenas o diretório da Bahia, que apoia o governador Jerônimo Rodrigues do PT, não formalizou sua adesão a essa nova postura.
Expectativas e Consequências para o Governo
A divisão interna do MDB já era prevista, tanto por membros do partido quanto por analistas políticos. No entanto, essa reconfiguração representa um revés para o governo de Lula. Mesmo sem uma declaração explícita, havia esforços de aliados do presidente para que figuras influentes do MDB fossem incorporadas ao seu governo. Entre os nomes cogitados estavam a ministra Simone Tebet (Orçamento), o ministro Renan Filho (Transportes) e o governador do Pará, Helder Barbalho.
Curiosamente, houve também diretórios que não hesitaram em mudar de posição desde a eleição de 2022. Em um movimento surpreendente, os MDBs do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que no passado declararam apoio a Lula já no primeiro turno, agora adotam uma postura de neutralidade, optando por uma aliança mais cautelosa.
Alianças Regionais e Novas Perspectivas
No Rio de Janeiro, a sigla se unirá ao prefeito Eduardo Paes, candidato apoiado por Lula, mas manterá uma distância do PT. O presidente do diretório estadual, Washington Reis, que é ligado à Assembleia de Deus, lançou sua irmã, a advogada Jane Reis, como vice em sua candidatura. Reis se comprometeu com o manifesto nacional do partido, o que pode indicar uma aproximação com a oposição, como o senador Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, em outras regiões, como o Nordeste e o Norte, a expectativa é de que alguns diretórios permaneçam aliados ao governo. Em Alagoas, Lula apoiará Renan Filho, que busca retornar ao governo, e o pai, senador Renan Calheiros, que almeja a reeleição. No Pará, a parceria com os Barbalho continua, e no Ceará, o PT já expressou apoio ao ex-senador Eunício Oliveira.
As tratativas para uma aliança em Minas Gerais, no entanto, não avançaram conforme o esperado. Lula tem buscado a colaboração do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para concorrer ao governo, mas as conversas ainda estão em estágio incerto. Por outro lado, o deputado federal Newton Cardoso, presidente do MDB-MG, já formalizou seu apoio ao atual movimento dentro do partido.
Expectativas de Movimento no PSD
O governo de Lula agora aguarda um movimento similar por parte do PSD, que possui uma presença significativa no centrão e também ocupa três cadeiras na Esplanada. Diretórios regionais do PSD, como aqueles do Amazonas, Bahia e Pernambuco, estão sendo incentivados a apoiar Lula, independentemente do lançamento de um candidato presidenciais da sigla. Os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO)—todos eles de oposição—também estão sendo observados atentamente.

