Movimentações Eleitorais e Alocação de Recursos
Os ministros que estão se preparando para deixar o governo estão intensificando suas ações em suas respectivas regiões, destinando verbas significativas para projetos locais, o que gera um tom eleitoral nas inaugurações. O ex-prefeito ACM Neto criticou a “panelinha” do PT na Bahia, ressaltando que o presidente Lula não saiu muito feliz de um evento do partido em Salvador.
O ministro Renan Filho, em uma entrevista recente, destacou a necessidade de Lula formar uma coalizão mais ampla, além do PT, posicionando-se como uma figura que deve conquistar o centro político para aumentar suas chances eleitorais.
Por outro lado, o ministro Fufuca, que busca se lançar ao Senado, fez do Maranhão o estado que mais recebeu investimentos do Ministério do Esporte. Em 2025, o estado recebeu R$ 170,3 milhões para obras que incluem a construção de estádios, quadras poliesportivas e espaços comunitários, um aumento de 144,7% em comparação com os R$ 69,6 milhões enviados no ano anterior. Esse montante fez do Maranhão o líder em investimento da pasta, superando estados como Rio de Janeiro e São Paulo.
O ministério, em nota, justificou que a distribuição dos recursos federais é baseada em critérios técnicos e legais, ressaltando que o Maranhão apresenta um histórico déficit em infraestrutura esportiva, o que o coloca em desvantagem em relação a outros estados.
Atuação Regional dos Ministros
A atenção de Fufuca ao Maranhão não se restringiu apenas ao envio de verbas. Em sua agenda de compromissos em janeiro, sete dos dez eventos oficiais do ministro ocorreram no estado. Em uma visita a Pedro Rosário, uma cidade de 24 mil habitantes, ele inaugurou uma arena esportiva e gravou um vídeo para suas redes sociais, elogiando as ações do governo local. No dia anterior, Fufuca ainda entregou retroescavadeiras a prefeitos aliados, também com recursos federais, evidenciando seu foco nas obras em sua terra natal.
Fufuca não é o único a direcionar investimentos a sua base eleitoral. O ministro da Agricultura, Fávaro, também mirando uma candidatura ao Senado, destinou R$ 132,9 milhões a prefeituras do Mato Grosso entre novembro e dezembro do ano passado, um crescimento de 209,7% em relação aos R$ 42,9 milhões empenhados em 2024. O Mato Grosso se destacou como o principal destino dos recursos da pasta, à frente de estados como Tocantins, Bahia, Maranhão e Amazonas.
Critérios de Distribuição de Recursos
O Ministério da Agricultura afirmou que a alocação de recursos segue rigorosamente as normas de execução orçamentária e enfatizou que a priorização dos projetos leva em conta requisitos técnicos e a relevância para o desenvolvimento regional. Fávaro também intensificou sua presença no Mato Grosso, com compromissos em janeiro e fevereiro superando os anos anteriores.
Camilo Santana, ex-governador e atual ministro da Educação, não ficou atrás. Ele destinou R$ 154,2 milhões a convênios para a construção de creches e escolas, estabelecendo o Ceará como um dos principais beneficiados. Santana, que pretende deixar o ministério em abril para apoiar a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas, também está sendo considerado uma opção para não deixar o estado nas mãos da concorrência, especialmente contra Ciro Gomes.
No Amapá, Waldez Góes, outro ministro com aspirações ao Senado, concentrou recursos que totalizaram R$ 71,8 milhões, com R$ 45,9 milhões destinados ao governo estadual sob a liderança de Clécio Luís, que busca reeleição. A capital Macapá, por sua vez, recebeu uma quantia muito inferior, considerando que seu prefeito é adversário político de Góes.
Procurados, tanto o governador Clécio Luís quanto o ministro Waldez não se manifestaram sobre o direcionamento dos recursos. Waldez tem utilizado suas redes sociais para mostrar os investimentos, como no caso da escola de samba Império do Povo, que recebeu máquinas de costura compradas com verbas públicas.
Demandas por Supervisão em Recursos Públicos
Gladstone Felippo, professor de direito administrativo, aponta a necessidade de investigar os critérios de destinação dos recursos. Ele sugere uma reforma do Código Eleitoral para garantir maior rigor no uso da máquina pública durante períodos de eleição. Essa preocupação se amplia à medida que os ministros se aproximam do prazo para se desincompatibilizar, em abril, caso desejem concorrer em outubro.

