Família Lamenta a Perda Trágica
Neste sábado (28), o clima de dor e revolta tomou conta do Cemitério Parque da Paz, em São Gonçalo, onde familiares e amigos se reuniram para o enterro de Andressa Nogueira do Nascimento, de 35 anos. A moradora da Comunidade das Palmeiras foi morta durante uma operação da Polícia Militar no Complexo do Salgueiro. O luto foi acompanhado de críticas à ação policial e apelos por justiça, especialmente considerando que Andressa era mãe de cinco filhos.
O cunhado de Andressa, Adriano Silva, relatou o desespero da situação: “Eles estavam atirando a esmo, pra todo lado. Qualquer pessoa que se movimentasse… até um mosquito, se passasse, eles estavam atirando”, afirmou. Andressa foi atingida na cabeça, o que intensificou a indignação da comunidade contra a abordagem policial.
Questionamentos sobre a Operação Policial
A irmã da vítima, Ana Paula do Nascimento, expressou sua indignação ao questionar o momento da realização da operação, que ocorreu durante a circulação de crianças na comunidade. “Como pode haver uma operação em horário que as crianças estão na rua? O que estava em jogo? Matar uma mãe de cinco filhos?”, desabafou.
Durante o velório, o filho mais velho de Andressa, Carlos Victor Nogueira da Silva, relembrou a rotina de trabalho da mãe, que se desdobrava em diferentes atividades para garantir o sustento da família. “Ela sempre fez o possível para não faltar nada em casa”, disse. Carlos também descreveu o momento em que sua mãe foi atingida: “Ela morreu na frente do meu irmão, que nada pôde fazer. Quando cheguei, vi ela no chão como se fosse nada”.
O jovem criticou a classificação da morte como uma fatalidade, questionando a lógica de chamar de acidente o ato de atirar em uma comunidade. “Fatalidade é entrar atirando a esmo. O que vamos dizer para os filhos dela?”.
Contexto da Tragédia
O incidente ocorreu na tarde de sexta-feira (27), na Estrada das Palmeiras, durante um conflito armado que envolvia policiais e criminosos. Segundo testemunhas, Andressa foi baleada enquanto tentava buscar um filho na rua, sendo atingida por um tiro que atravessou seu corpo. Imagens registradas logo após o disparo mostram o desespero dos moradores, que clamavam por socorro e se preocupavam com a situação da vítima.
O viúvo de Andressa, Carlos Eduardo da Silva, também fez um apelo por justiça: “Ela sempre dizia que me amava e que nunca me deixaria. Quero justiça”, declarou, indignado com a tragédia. Familiares relataram que a operação policial foi marcada por disparos indiscriminados, com Adriano Silva, o cunhado, relembrando seu próprio susto ao ser alvo dos tiros. “Eu tive que me jogar da moto para me esconder de um tiro que veio de dentro do caveirão”, disse.
Operação e Resposta da PM
A Polícia Militar justificou a operação com o objetivo de retirar barricadas da comunidade. De acordo com a corporação, as equipes foram recebidas a tiros e reagiram ao ataque. A PM também mencionou que três policiais ficaram feridos por estilhaços, embora nenhum tenha sofrido lesões graves. A polícia afirmou que o tiro que matou Andressa teria partido de criminosos, mas a comunidade questiona essa versão.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) está à frente das investigações, buscando identificar a origem do disparo. O caso gerou repercussões e manifestações contrárias à ação policial na comunidade.
Protestos e Clamor por Mudanças
Após a morte de Andressa, moradores se mobilizaram em protestos, bloqueando vias e queimando objetos em sinal de revolta. As manifestações destacaram a falta de investimentos em educação, lazer e infraestrutura na comunidade. “O estado não entra aqui para oferecer estudo ou lazer. Não somos vagabundos, somos trabalhadores indignados com a Justiça que não faz nada pela população”, desabafou Adriano, evidenciando a frustração coletiva.
A PM, em nota, reiterou que a operação foi realizada após receber denúncias sobre um suspeito e que agiu em resposta a uma situação de confronto. A Polícia Rodoviária Federal também participou da operação, mas negou ter efetuado disparos.

