Estupro em Ônibus: Detalhes do Crime
A prisão de um motorista de ônibus, ocorrida seis dias após o registro de um crime chocante, destaca a gravidade da situação. A vítima, uma idosa, denunciou o estupro na última terça-feira (24). De acordo com as investigações, o crime aconteceu na noite de domingo (22) a bordo de um coletivo da linha 383, que faz o trajeto entre Realengo e a Praça da República, com operação da empresa Sou Transportes.
Imagens das câmeras de segurança do ônibus registraram a ação do motorista, que agora enfrenta a justiça. Segundo o relato da idosa, ela saiu da casa da irmã, localizada no Jacaré, e fez integração entre linhas até embarcar, por volta das 20h30. O destino era sua residência, e ela seguiu pela Avenida Presidente Vargas, já próxima ao Centro do Rio.
Durante a viagem, havia apenas mais um passageiro, que desembarcou logo no início do trajeto. O motorista, então, iniciaria uma conversa, expressando um desejo de “falar” com a idosa. Segundo o depoimento da vítima, ao solicitar que parasse no Instituto Nacional do Câncer (Inca), o motorista ignorou seu pedido e continuou a viagem.
Conforme o relato da mulher à polícia, o motorista parou o ônibus, apagou as luzes e fechou as portas, momento em que cometeu o ato criminoso. “Eu gritei: ‘Me solta, meu marido está me esperando ali no posto de gasolina’. Ele fez o que fez e, depois, abriu o ônibus, e eu saí desesperada”, contou a vítima.
Após o ataque, a mulher buscou atendimento médico e foi ao Instituto Médico-Legal (IML) na segunda-feira (23). Graças às imagens recolhidas das câmeras de segurança, ela conseguiu reconhecer o motorista como autor do crime. A Polícia Civil, após esse reconhecimento, solicitou a prisão do suspeito, que foi realizada neste sábado.
A empresa Sou Transportes manifestou seu pesar pela denúncia e informou que está colaborando com as investigações. Em comunicado, a companhia declarou: “Repudiamos veementemente qualquer forma de violência, principalmente contra mulheres e idosos”.
Histórico do Suspeito e Outros Casos
Em uma reviravolta preocupante, o motorista, identificado como Tecio Maciel Xavier, já havia sido indiciado por um crime sexual em 2019. Na ocasião, uma jovem de 20 anos denunciou um ataque enquanto viajava em um ônibus da empresa Paranapuã, localizado na Ilha do Governador. Durante o último embarque, o motorista pediu que ela retornasse pela porta traseira e, uma vez dentro do veículo, apagou as luzes e fechou as portas.
O depoimento da jovem revela um cenário alarmante: ele tentou beijá-la, apalpou suas nádegas e expressou o desejo de “transar com ela ali mesmo”. A jovem conseguiu escapar e procurou as autoridades. O motorista foi posteriormente reconhecido por foto na 37ª DP da Ilha do Governador, sendo indiciado por importunação sexual. O Ministério Público também apresentou uma denúncia pelo mesmo crime, que atualmente tramita em segredo de Justiça.
Curiosamente, não houve um pedido de prisão na época. O acusado assumiu o compromisso de comparecer periodicamente à 5ª Vara Criminal, mas, segundo informações apuradas, ele deixou de se apresentar em janeiro deste ano. A empresa Paranapuã, em resposta à situação, afirmou que o ex-funcionário foi desligado ao final do contrato de experiência e que não compactua com atos de violência, colocando-se à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário.

