Defesa de Motta e Críticas à CPI
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se pronunciou nesta quinta-feira (26) em defesa do ministro Dias Toffoli, destacando sua atuação como relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma entrevista concedida ao Metrópoles, Motta avaliou que as críticas dirigidas a Toffoli são exageradas e que o ministro foi cuidadoso em suas decisões.
Segundo Motta, “as decisões proferidas pelo antigo relator, ministro Dias Toffoli, atenderam todos os pedidos que o Ministério Público e a Polícia Federal fizeram”. Ele acrescentou que é necessário olhar com atenção para o papel desempenhado por Toffoli, argumentando que a mídia tem distorcido a situação.
CPI e Palanque Eleitoral
Durante a conversa, o presidente da Câmara também fez críticas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está em andamento no Senado, afirmando que o colegiado parece querer utilizar o caso Master para obter vantagens eleitorais. “Acho errado mudar o escopo de uma CPI que foi proposta com um intuito claro, apenas para fazer palanque eleitoral sobre outro assunto. Uma CPI precisa ter um foco definido, e não é correto desvirtuar a investigação para temas que não foram originalmente levantados”, disse Motta.
Atualmente, existe apenas uma CPI ativa no Senado, a do Crime Organizado. Além disso, há uma CPI mista que investiga irregularidades no INSS, envolvendo tanto deputados quanto senadores.
Defesa de Fabiano Contarato
Mais cedo, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI, em entrevista ao programa Em Ponto, da GloboNews, defendeu que as ações do colegiado estão, sim, relacionadas ao tema em questão. Ele destacou que o plano de trabalho da CPI inclui investigações sobre instituições financeiras, relacionado ao caso Master.
Convocação de Irmãos de Toffoli
A CPI também decidiu pela quebra de sigilo fiscal e bancário da empresa Maridt, que é administrada pelos irmãos de Toffoli, de quem o ministro é sócio. Outro foco das investigações da CPI é a Reag Investimentos, uma instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central.
Investigação da Polícia Federal
Questionado sobre a criação de novas CPIs a respeito do caso Master na Câmara e no Senado, Motta destacou que os órgãos de controle, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF, estão realizando investigações sérias a respeito das possíveis irregularidades. “Acredito que o Supremo está cumprindo seu papel”, ressaltou.
Quando indagado se acreditava que a Polícia Federal havia exagerado nas investigações envolvendo o ministro, Motta foi categórico: “Não estou dizendo que houve exagero da Polícia Federal. O que eu reconheço é a função que o ministro Toffoli teve nesse processo”.
Toffoli e a Redistribuição do Caso
Vale lembrar que o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em 12 de fevereiro deste ano, decisão que foi tomada após uma reunião entre os ministros da Corte, em resposta aos desdobramentos da investigação da Polícia Federal.
O STF anunciou que Toffoli, levando em consideração os altos interesses institucionais, pediu a redistribuição do caso para outro ministro, e André Mendonça foi designado como o novo relator.
Recentemente, um relatório elaborado pelos investigadores foi enviado ao STF, trazendo menções ao magistrado, com base em dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, comunicou aos colegas sobre os achados da PF durante uma reunião.
O clima em torno dessas investigações continua tenso, e o desenrolar dos acontecimentos deve ser acompanhado de perto, tanto pela mídia quanto pelo público interessado em entender os desdobramentos do caso Master.

