Críticas Diretas ao Advogado-Geral da União
O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão, do Republicanos-RS, manifestou sua oposição à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), planejando votar contra sua nomeação para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Em uma entrevista exclusiva ao R7, Mourão não hesitou em criticar o perfil de Messias, afirmando: “Considero que ele não tem condições para ser ministro da Suprema Corte. Ele pode ter muitas capacidades, mas para isso, não. E, por isso, voto contra ele”.
O senador revelou que não tem interesse em se reunir com Messias, que tem buscado apoio entre os senadores. Mourão enfatizou a dificuldade que o advogado-geral da União enfrentará ao tentar convencê-lo a mudar de ideia, sugerindo que Messias deveria ter recusado a indicação.
“Não é uma questão da conduta ilibada, mas devemos ressaltar que ele possui uma militância política em favor do Partido dos Trabalhadores, o que poderia resultar em uma falta de imparcialidade para exercer a função de magistrado”, avaliou.
Expectativas para o Senado e Críticas ao Processo de Sabatina
Durante a conversa, Mourão expressou otimismo em relação à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto e comentou sobre as divisões internas na direita. Ele também abordou o cenário do Senado, projetando um número de senadores favoráveis que poderia permitir à oposição indicar um nome à presidência da Casa em 2027.
Questionado sobre a sabatina de Messias, Mourão caracterizou o processo atual como mecânico e defendeu que deveria ocorrer em várias etapas, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos. “Comparando com o processo de seleção do ministro da Suprema Corte Americana, a sabatina lá leva três a quatro meses, com várias sessões de comissões abordando temas constitucionais e jurídicos que são essenciais para a avaliação do candidato”, afirmou.
Sobre a possibilidade de apoio a Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário, Mourão demonstrou ceticismo. “Hoje, eu acredito que ele não tem os votos necessários na CCJ. Mas, independentemente disso, a votação seguirá para o plenário, com parecer positivo ou negativo”.
Tensões no Congresso e Prioridades Legislativas
Mourão também discutiu os desafios que o Congresso enfrenta, citando reformas importantes que permanecem pendentes, como a reforma política e a revisão do Código Eleitoral. “O Código Civil está sendo revisado, mas é uma tarefa que se arrasta, com um código que data da década de 1940. O mundo mudou e nossas leis precisam refletir isso”, acrescentou.
Avançando na discussão, o senador criticou o funcionamento atual das CPIs, afirmando que a CPI do Crime Organizado, por exemplo, está se arrastando devido à baixa frequência de reuniões e à falta de comparecimentos por parte das pessoas convocadas. “A CPI, com sua estrutura atual, parece impotente em investigar irregularidades, ou seja, não está cumprindo seu papel de fiscalização efetiva”, disse.
Desafios Econômicos e Perspectivas Futuras
Indagado sobre as eleições de 2026, Mourão enfatizou a reconfiguração dos palanques estaduais e a necessidade de uma candidatura qualificada para o Senado no Rio Grande do Sul. Ele destacou o apoio do Republicanos à candidatura do deputado Luciano Zucco e as dificuldades enfrentadas em outros estados.
Acerca da situação econômica, Mourão alertou que o próximo presidente, seja quem for, encontrará sérios desafios fiscais deixados pelo governo atual. “O governo do presidente Lula não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal, o que resulta em inflação elevada e juros altos, prejudicando as famílias e empresas. O eleito terá que ajustar as contas públicas urgentemente”, declarou.
Opiniões sobre o Pacote do Governo e o Julgamento no STM
Mourão criticou medidas recentes do governo para contenção dos preços dos combustíveis, afirmando que a estratégia do governo é inadequada e de curto prazo, considerando a complexidade da situação geopolítica. “O governo parece não entender que as consequências da guerra no Oriente Médio terão impactos prolongados”, argumentou.
Finalmente, ao abordar o julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro no Superior Tribunal Militar (STM), Mourão destacou a importância de distinguir entre os aspectos disciplinares e as alegações de crimes comuns. “O que está em jogo no STM é um julgamento de honra, não relacionado aos supostos crimes que foram apresentados na Suprema Corte”, concluiu.

