Denúncia de Obstrução às Investigações
O Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro apresentou uma denúncia contra quatro indivíduos, incluindo Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, por suspeitas de obstruir investigações relacionadas a uma organização criminosa. Conforme apurado pelo MPF, Deivis teria instruído o desligamento das câmeras de segurança do prédio onde reside, possibilitando a retirada de malas e pastas que contêm documentos cruciais para a investigação.
A denúncia ressalta que, ao chegar ao apartamento de Deivis, a Polícia Federal não conseguiu localizar quaisquer documentos do Rioprevidência, que atualmente estão sob investigação devido a um investimento de R$ 970 milhões no Banco Master. O ex-presidente do Rioprevidência encontra-se detido desde fevereiro, após retornar dos Estados Unidos.
Além de Deivis, também foram denunciados Rodrigo Schmitz, um empresário que, segundo o MPF, transportou os objetos a pedido do ex-presidente; Bruno Elias Hins, responsável pela empresa de segurança do edifício; e Aroldo Morais Elliot, motorista de Deivis, que teria levado um Porsche para Santa Catarina.
Na denúncia, o MPF solicita a condenação dos quatro acusados e a reparação de danos no valor mínimo de R$ 660 mil, além da apreensão de bens vinculados ao caso.
Esquema de Desligamento das Câmeras
Os fatos ocorridos entre dezembro e janeiro revelam um plano orquestrado para dificultar as investigações. Em apenas dez dias, as câmeras de segurança foram desligadas, imagens foram apagadas, e até um veículo de luxo foi transferido do Rio de Janeiro para Santa Catarina. Desde 19 de dezembro do ano passado, Deivis já era ciente de que estava sob investigação, conforme mencionado pela Polícia Civil, e, a partir desse momento, teria tentado várias vezes obstruir a ação da Polícia Federal.
No dia 15 de janeiro, Deivis, atuando como síndico do prédio em Botafogo, teria solicitado ao porteiro o desligamento das câmeras de vigilância. O porteiro confirmou a solicitação em depoimento à Polícia Federal. Na mesma data, Deivis e Rodrigo foram vistos retirando documentos do apartamento 101, alugado por Deivis, e transportando-os para um veículo na garagem. A perícia revelou que todas as 14 câmeras do prédio ficaram inoperantes por 32 minutos naquele dia.
O apartamento alugado, situado no primeiro andar, era utilizado como um ponto de coleta para malas e caixas que, posteriormente, eram levadas para outros locais. As imagens recuperadas parcialmente pela perícia da PF indicam um intenso tráfego de bagagens entre os apartamentos 101 e 201 durante o período da investigação.
Documentos Ilegais e Apagamento de Imagens
O MPF ainda aponta indícios de que os documentos retirados do prédio em Botafogo foram levados para um terceiro apartamento, localizado a apenas 200 metros de distância, na Rua da Passagem, também sob a utilização de Rodrigo Schmitz. Ao cumprir um mandado de busca nesse novo local, a Polícia Federal apenas encontrou malas vazias e materiais usados para organizar dinheiro.
Um dos principais atos de obstrução, segundo o MPF, foi a remoção das imagens do sistema de segurança do prédio, realizada remotamente no dia 25 de janeiro, dois dias após uma busca da PF. O deletamento foi realizado a partir de um login identificado como “ideal”, que pertencente a Bruno Elias Hins, a quem é atribuído o comando de Deivis.
Além disso, no dia 25 de janeiro, Rodrigo Schmitz e Aroldo Morais Elliot foram acusados de remover um Porsche da garagem do prédio. Embora o veículo estivesse registrado em nome de Rodrigo, a PF afirma que na verdade ele pertencia a Deivis, que o utilizava regularmente.
Defesa dos Acusados
A defesa de Deivis Marcon Antunes, representada pelo advogado Paulo Klein, não se manifestou a respeito das acusações, mas, nos autos do processo, argumentaram que não há provas concretas que sustentem as alegações de obstrução. Os advogados destacaram que não haveria razões para ocultar documentos, já que todo o credenciamento do Banco Master junto ao Rioprevidência está registrado de forma pública e acessível.
Sobre a suposta ordem dada ao porteiro para desligar as câmeras, a defesa alega que Deivis saiu de casa cedo, afastando a hipótese de que ele teria feito a solicitação antes das 11h. Em relação à retirada dos objetos do apartamento 101, afirmaram que isso ocorreu para atender à necessidade do encerramento do contrato de locação.
Até o momento, não se obteve resposta das defesas de Bruno Elias Hins e Aroldo Morais Elliot.

