Um Legado de Música e Educação
No último sábado (27), Volta Redonda perdeu um de seus mais icônicos representantes da cultura e educação, o maestro Nicolau Martins de Oliveira. Aos 83 anos, ele faleceu, deixando uma marca indelével na história da música no município. Nicolau foi o idealizador, em 1974, do projeto ‘Volta Redonda Cidade da Música’, que se destacou na formação de músicos e na promoção da educação musical em todo o Brasil. O velório está acontecendo na Capela 4 do cemitério Portal da Saudade, com o enterro agendado para as 16h no mesmo local.
Em homenagem ao maestro, o prefeito Antonio Francisco Netou expressou seu pesar em seu perfil no Instagram: “Um homem que deixou marcas pela música, cultura e educação em nossa cidade. Que Deus receba nosso amigo e que possa confortar aqueles que ficaram. Maestro Nicolau segue vivo em seu legado, a cada nota musical que sair do projeto ‘Volta Redonda, Cidade da Música’.”
A maestra Sarah Higino, que trabalhou ao lado de Nicolau por muitos anos, também dedicou palavras emocionadas ao amigo e colega. “O legado dele não vai ser esquecido. Sob sua batuta e seus ensinamentos, milhares de jovens encontraram mais do que aprendizado musical, mas disciplina, cidadania e uma nova perspectiva de futuro na música. Muitos se tornaram músicos profissionais, mas todos, sem exceção, levaram consigo a lição maior do mestre Nicolau, que é a arte, a forma mais pura que temos de servir ao próximo.”
Ao se pronunciar sobre a perda, o secretário da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Anderson de Souza, descreveu Nicolau como “um verdadeiro ícone da nossa cultura”. Ele enfatizou: “Maestro dedicado, educador incansável e apaixonado pela música, Nicolau construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a formação cultural e humana de gerações. Sua vida foi inteiramente dedicada à cultura e à educação, deixando um legado imensurável para a cidade.”
Trajetória Marcante e Apaixonante
Nicolau, que nasceu em Santa Catarina, teve seu primeiro contato com a música na infância, participando da banda da igreja Assembleia de Deus e cantando no coro. Em 1958, aos 15 anos, ele chegou a Volta Redonda para estudar na Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC). Posteriormente, trabalhou na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e estudou música com grandes nomes, como o maestro Franklin de Carvalho Jr.
Graduado em fagote pela Escola Nacional de Música da UFRJ, Nicolau dedicou sua carreira à educação musical. Em 1974, começou a trabalhar na Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda) e, no mesmo ano, deu início ao projeto que se tornaria o ‘Volta Redonda Cidade da Música’. A iniciativa revolucionou a musicalização nas escolas, alcançando mais de 30 instituições de ensino na cidade, atendendo alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental.
Ao longo de sua carreira, Nicolau criou diversas bandas e orquestras, sendo a Banda de Concerto um de seus maiores orgulhos. Ele também estabeleceu a Banda Mini, que introduziu os jovens aos instrumentos de percussão e proporcionou o desenvolvimento da coordenação motora. Além disso, fundou a Orquestra de Cordas de Volta Redonda, que segue contribuindo para a formação musical na região.
Reconhecimento e Inspiração
As apresentações de Nicolau e seus alunos nas principais salas de espetáculo do Brasil, como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a Sala São Paulo, são testemunhos do impacto de seu trabalho. Um momento notável em sua carreira foi reunir mais de duas mil crianças de 20 cidades do estado do Rio para uma apresentação conjunta no Theatro Municipal.
Em uma de suas entrevistas, Nicolau ressaltou sua visão sobre a música e a educação: “No dia em que Volta Redonda for conhecida como a cidade da música, estaremos fabricando o melhor aço do mundo.” Suas palavras refletem sua paixão e dedicação ao ensino musical. “Eu fico feliz com o sucesso deles. Através da música, Deus me deu os meus filhos, e me dá orgulho ver que eles alcançaram o que não consegui”, afirmou.
O legado de Nicolau Martins de Oliveira permanecerá vivo na memória de todos que foram tocados por sua música e ensinamentos. Ele não será apenas lembrado como um maestro, mas como um semeador de oportunidades e transformações sociais na vida de muitos.
Foto de Arquivo/Cris Oliveira – Secom/PMVR.

