A Relação Entre Motéis e a Ditadura Militar
A história de Oscar Maroni Filho, falecido em 2025, revela um Brasil surpreendente, onde o cenário de repressão da ditadura militar propiciou um crescimento inesperado de um setor controverso: os motéis. Nos anos mais sombrios da repressão, esses espaços foram transformados em verdadeiros ninhos de amor, permitindo encontros extraconjugais e o comércio de serviços sexuais. O fenômeno se destacou principalmente nas grandes metrópoles brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, durante os governos de Costa e Silva e Médici. Esse crescimento não se deveu apenas à demanda popular, mas também ao apoio clandestino e corrupto de oficiais de alta patente.
Um exemplo emblemático deste fenômeno ocorreu em julho de 1973, durante a inauguração do Motel Dunas, na Barra da Tijuca. O evento contou com a presença de figuras influentes, incluindo o general de brigada João Batista de Oliveira Figueiredo, que na época era o chefe da Casa Militar de Médici e viria a se tornar o futuro Presidente da República. Essa ligação entre o poder militar e o entretenimento clandestino desafia a ideia de que os períodos de repressão são exclusivamente sombrios, mostrando uma faceta mais complexa da sociedade brasileira da época.
Oscar Maroni, como proprietário de um dos motéis mais famosos de São Paulo, se tornou um símbolo desse segmento, atraindo não apenas os amantes da cidade, mas também aqueles que buscavam escapar da dura realidade política. A história de Maroni vai além de sua atividade empresarial; ela encapsula uma era em que a resistência, mesmo que em formas consideradas subversivas, floresceu entre os brasileiros. Ele personificava uma ousadia que, de certa forma, desafiava o regime, promovendo um espaço onde a liberdade e o prazer se tornavam possíveis, mesmo que por trás das cortinas da opressão.
No entanto, a trajetória de Maroni não se limita aos motéis. Ele também se destacou como uma figura polêmica e carismática na mídia, gerando tanto admiração quanto críticas. Sua abordagem direta e frequentemente escandalosa em relação à sexualidade e ao prazer o tornou um personagem icônico do entretenimento nacional, refletindo as tensões sociais e políticas da época. O legado deixado por Maroni, em meio a um panorama de resistência e libertação sexual, continua sendo um tópico relevante nas discussões sobre a cultura brasileira.

